14 de fevereiro de 2012

Gabriel Lima

Tipos de humor na publicidade: FÁTICO

Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que cada tipo de humor que é usado na publicidade tem sua forma de comunicar, e que não existe nenhuma espécie de “humor publicitário”. O que existem são diferentes formas de aplicar a modalidade expressiva que chamamos de humor, utilizado na publicidade desde os tempos mais primórdios. Será que dá “samba-enredo”?

Certo. Então vamos entender logo o que é HUMOR FÁTICO, mas antes, vamos aprender – ou relembrar, para alguns – o que é função fática.

Quando o emissor pretende testar ou chamar a atenção para uma mensagem, dizemos que ele está utilizando a função de linguagem fática. No nosso dia a dia usamos diversas vezes essa função. Sim! Quando dizemos um simples “alô” ao telefone ou quando estamos conversando e soltamos aqueles “uhm”, “aham”, “entendeu?”, estamos estabelecendo contato, sustentando a conversa e, consequentemente, chamando a atenção do receptor. Fazemos isso para estabelecer um contato, para alongar um contato iniciado ou, simplesmente, para interromper outro contato e chamar a atenção.

Na publicidade, ficamos principalmente com esta última opção: chamar a atenção.

Você já deve saber que cada um de nós é “bombardeado” diariamente com milhares de mensagens publicitárias. São cores, textos, números, chamadas, banners, splashs… disputando você. Por isso, muitos comerciais (e outras peças publicitárias) utilizam a função fática: para “pescar” nossa atenção, até então dividida entre outros anunciantes e produtos.

O humor, propriamente dito, é uma forma de desviar o público de seus problemas/rotina e levá-lo, de forma simpática, ao produto, criando um laço de amizade entre marca e o potencial consumidor. Daí em diante pode-se continuar usando essa função, só que dessa vez vai ser para divertir e continuar o “diálogo” com o consumidor.

Que um exemplo? Toma!

Na minha opinião a MarsterCard fez e ainda faz isso muito bem. Conquista o público de maneira bem humorada e inteligente, tornando-se uma marca memorável de fato.

Não perca, semana que vem falaremos sobre o HUMOR COMERCIAL na publicidade. Até lá!

Incluído depois: confira também o post sobre HUMOR EMOTIVO.

4 "parpite"

1. Wagner publicado em 14 de fevereiro de 2012 às 16:32

Olá Gabriel…Meu nome é Wagner e me formei o ano passado como Designer e adoro aprender coisas novas e a todo momento vejo e estudo coisas diferentes. Pergunta. Sobre o humor fático, na verdade, em seu blog, você separa o humor da comunicação fática. Eu não entendi ao certo, onde é concretizada a comunicação fática no comercial do Mastercard. Fiquei muito interessado. Poderia me responder? Obrigado desde já e parabéns pelo Blog.

2. Silvia Zampar publicado em 14 de fevereiro de 2012 às 16:57

Vou complementar a dúvida do Wagner, acima:

Entendo a FUNÇÃO FÁTICA como a que ocorre apenas para estabelecer a comunicação (entre emissor e receptor), costumo dizer a meus alunos que é algo que "de verdade, de verdade" não está dizendo (comunicando) nada.
É o "alô" (que só quer dizer: estou aqui, pois não, o que você quer?), o "sei", "tá", "não diga!", "verdade?" (que quer dizer: to prestando atenção, pode continuar contando – não que esteja achando que seja mentira).
Foi o que você colocou no post com suas palavras.

Mas confesso que de início eu também fiquei em dúvida do que você queria dizer com HUMOR FÁTICO, e apresentando o comercial da Master.
Depois a ligação que fiz foi: durante o comercial, eles não estão falando do produto em si, das qualidades ou atributos, nem mostram produto (só no fim), então eles estão fazendo algo "fático", com o intuito de "manter a gente ali" – estabelecendo a comunicação (mesmo que sem estabelecer a mensagem para o produto), sendo que só no final, com a assinatura, vemos a mensagem em si.
É isso?

3. Gabriel Lima publicado em 14 de fevereiro de 2012 às 17:43

Oi, Wagner. Tudo bom?

Tive dificuldade para escolher o exemplo, mas explico o por quê de ter escolhido este comercial. Nele, o humor fático se concretiza no ápice da piada (na cara de bobo do ex-namorado). Escolhi essa campanha por ela seguir uma linha que ao mesmo tempo mostra ao consumidor sua rotina e depois chama a atenção com um situação engraçada. Sempre com humor inteligente. A piada (ápice), nesse caso, é bem sutil e funciona com um “alô, prazer MarterCard” = aí está a comunicação fática da peça.

É bem complicado de entender e também de explicar. Se ainda ficar com alguma dúvida é só falar.

Abraço.

4. Gabriel Lima publicado em 14 de fevereiro de 2012 às 17:46

Sim. O comercial mantém essa estratégia de segurar o público até a hora da piada e só no final é que a marca aparece, fazendo a “manutenção” da sua imagem com o consumidor.

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