segunda-feira , 27/03/2017
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João Andante: paródia ou “chupada”?

Está “na boca do povo” de design e publicidade o caso recente da briga entre as marcas Jonnie Walker e João Andante, de whisky e cachaça, respectivamente. Daí veio a ideia de comentar o caso, até porque ele é divertido.

Antes de mais nada, que tal conhecer as duas marcas?

E agora, que tal comparar as EMBALAGENS?

Matéria do Estado de Minas
REPRODUÇÃO - clique na Imagem para ler uma excelente matéria sobre o caso.

Agora vamos analisar o caso sob o prisma das marcas, ou seja, do INPI:

1 – Colidência fonética: Johnnie Walker (djoni ualquer)  x João Andante – não existe possibilidade de colidência fonética.

2 – Colidência dos elementos gráficos (lettering = fonte): não existe similaridade entre o lettering ou no fluxo/ritmo/inclinação deste.

3 – Colidência dos elementos figurativos: Johnnie Walker – apresenta um aristocrata trajando fraque (elemento característico em ilustrações aristocratas), cartola, bengala, gravata borboleta e botas. João Andante – apresenta um andarilho (leia-se mendigo) com chapéu de aba larga, talvez botas (não é identificável) e um cajado com uma trouxa de pano amarrado na ponta (elemento característico em ilustrações de mendigos/andarilhos).

4 – Classe/Produtos: ambas as marcas são para bebidas alcóolicas destiladas.

5 – Confusão ou Associação: é praticamente IMPOSSÍVEL que haja, por parte dos clientes, especialmente os da marca Johnnie Walker qualquer confusão ou associação entre as marcas, visto que, apesar de ser uma paródia, João Andante utiliza elementos OPOSTOS à marca Johnnie Walker, tanto na tipologia, quanto na iconografia  e cores, se extendermos esta análise à embalagem dos produtos é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL que haja um “engano” por parte de um cliente que deseje comprar Whisky Johnnie Walker e leve, POR ENGANO, a cachaça João Andante. Bom, só se ele estiver muito bêbado… Daí há uma remota possibilidade.

Em resumo, como marca, não há a menor chance de que o Whisky Johnnie Walker impeça o registro da marca da cachaça João Andante. Bom, os escoceses (assim como os ingleses) são famosos pela ausência de senso de humor, essa pode ser uma explicação para sua “implicância” com o pessoal da cachaçaria.

Se você quiser ver algumas imagens divertidas de garrafas de cachaça que fazem paródias de marcas famosas de whisky, visite este post (vale a pena!) – tem marcas como JEGUE DANIELS e JONIVAL QUER.

About Rudinei Modezejewski

Especializado em Propriedade Industrial, com ênfase em marcas e domínios, atuando nessa área desde 1997, trabalha desde 2009 com Marketing Jurídico, sendo que atualmente está se aprimorando em Social Media Marketing (Marketing em Redes Sociais) Twitter: @emarcas. Confira a apresentação completa dele.

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5 comments

  1. Que sacada de Marketing da João Andante!! se antes não era conhecida, agora se torna e ainda de graça!! rsss

    • Robert, em minha opinião essa "sacada" pode ser uma faca de dois gumes.
      Veja que sucesso para uma empresa deve se refletir no aumento direto das vendas/faturamento, o que não sei se acontece com o citado, pois tudo depende do preparo da produção dele e de distribuição.
      Ok, ele pode estar valorizando sua marca, entretanto o Rudinei deixa claro que não sabe como o INPI receberá a solicitação dessa marca (que ainda não existe). Portanto ele pode morrer n'água.
      E, em último caso, mesmo o Rudinei tendo feito uma excelente análise das probabilidades do caso, se o dono da marca Johnnie Walker conseguir, em algum momento, ganhar um caso contra João Andante, pode custar muito caro essa "sacada"
      Eu diria que se tudo foi feito com planejamento, prevendo todas as consequências (boas e ruins), é uma ótima sacada. Se foi obra do acaso, é um perigo.

      • Silvia, Agradeço seus comentários!! Mas ainda acho que não podemos matar a criatividade com os exageros que seria, na minha opinião caso o INPI desse ganho de causa a Johnnie Walker.

        • Entendo seu ponto de vista. É que o INPI não tem que defender "criatividade", mas sim direito (propriedade) de marca. Senão tudo aqui no Brasil vira uma farra.
          Claro que quando se consegue ser criativo sem inferir no direito de outro da marca, isso sim vale a pena.

  2. Silvia, concordo que há pouquíssimas possibilidades de a empresa proprietária ou representante do whisky JW obter algum sucesso (lógica de juiz é mais incerta que tempo no litoral norte), mas não concordo que o inglês é mal-humorado. Ao contrário. Eles possuem um humor muito característico, muito próprio. E ele está presente em várias campanhas sensacionais (a começar pela Guiness) e em filmes memoráveis (lembra do Monty Python?) Um humor fino, irônico, inteligente, muitas vezes auto-referente, bem diferente do humor americano, para compararmos dois grandes centros de filmes (cinema e publicitário).
    A falta de humor aqui ou é dos representantes brasileiros ou dos executivos britânicos. Mas nenhum dos dois representa o estado de espírito dos seus respectivos povos. Abraços. AssisJr

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