domingo , 28/08/2016
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Comercial do McDonald’s menosprezando o Burger King

Quero mostrar para vocês esse comercial, que foi feito pela agência DDB Tribal, para o McDonald’s da Alemanha (depois faço meus comentários):

Uma pergunta que sempre ouvi de meus alunos foi a de “porque no Brasil não é comum vermos propagandas comparativas (entre marcas) ou citando a concorrência”.

A resposta não é única:

  • As leis de marca brasileira não permitem que se use as outras marcas (concorrentes ou não) indevidamente;
  • As normas que regem a propaganda também protege empresas e marcas de serem expostas ao ridículo por seus concorrentes; e
  • É constatado que o brasileiro não gosta de comparações, chegando, muitas vezes, a tomar as dores do concorrente que está sendo “cutucado” e, até, passando a comprar mais deste, por pena e apoio.

Bem, por todos esses motivos, eu, como publicitária, não faria um comercial comparativo, muito menos para ridicularizar um concorrente – acho que se fortalece uma marca falando de suas próprias vantagens/diferenciais e não falando dos outros.

Mas deixe-me, agora, falar especificamente sobre esse comercial apresentado acima, que eu não gostei!

  1. Primeiramente achei absurdo mostrar uma criança se alimentando todo dia com lanche do McDonald’s. E o problema mundial da obesidade infantil, doenças causadas por esta como diabetes, colesterol alto? Será que, culturalmente, isso não “pega mal” lá na Alemanha?
  2. Também não gosto dessa história de crianças maiores “roubando” uma criança menor (aliás, e cadê os responsáveis pelo menininho?).
  3. Não sei qual o posicionamento das duas marcas lá na Alemanha, mas aqui no Brasil, com certeza, o lanche do Burger King não seria desprezado por comilões (eu, particularmente, até prefiro).
  4. Comprovando a constatação de que brasileiro não gosta de ridicularizações de concorrentes, se eu visse essa propaganda passaria a comprar mais Burger King e a boicotar o McDonald’s, por considerar a atitude dele arrogante.

Criativo? Talvez. Mas isso só me prova que nem sempre criatividade é o mais importante para passar uma mensagem e conseguir atingir o objetivo principal (nesse caso: vender mais e fortalecer a marca).

E você, o que achou do comercial e o que pensa de tudo isso?

About Silvia Zampar

Graduada em PMKT, pós em Ensino Superior, mestre em Comunicação Midiática, atua como publicitária há 17 anos em sua agência de propaganda em Jundiaí e leciona para cursos de Comunicação Digital / Publicidade. Mantém os blogs: este (o TuDiBão) e o Livro-Objeto. Twitter: @SilviaZampar. Confira a apresentação completa dela.

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2 comments

  1. Silvia: eu, com a pouca autoridade que tenho no tema, costumo dizer que a propaganda bonitinha e criativa nem sempre é a que realmente cumpre o objetivo. Muitas vezes vemos comerciais ganhando premios de propaganda, mas sem perguntar se o anunciante conseguiu efetivamente um resultado melhor. É fato que nem toda propaganda objetiva vender… mas sim propagar uma ideia, que pode ou não ser o consumo. Pode intencionar simplesmente a construção de uma imagem, o que justificaria um filme bonito e criativo. Mas vender mesmo, é possivel até com aqueles cansativos comerciais de antigripais, que passam 30 segundos repetindo "é gripe? benegripe!" Sem querer, quando alguém espirra, a gente repete o jargão.
    Abraços

    • Agradeço muito sua contribuição aqui em nossos comentários.
      Concordo com tudo que falou, exceto com a função "vender" em comerciais comparativos que ridicularizem o concorrente. Não é só uma opinião, é ciência (psicologicamente os brasileiros tendem a proteger o "alfinetado"). Eu, particularmente, passaria a comprar só do concorrente.

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