quinta-feira , 17/08/2017
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Medicina virtual e os sites de clubes de compra coletiva!

É incontestável que os clubes de compras coletivas cresceram de tal modo que viraram febre na Internet. São diversos os existentes, tais como Peixe Urbano, Clube Urbano, Bananarama, Clickon, Oferta X, Coletivar, City Best, We Go, dentre outros. Até mesmo sites que, percebendo a grande febre dos clubes de compra, resolveram unificar todas as promoções em um único local, como o Saveme.

Porém há alguns abusos e extravagâncias que não podem ser permitidos. Além dos usuais problemas com promoções que prometem o que não cumprem nos deparamos com uma que nos chamou muito a atenção. Trata-se do “Dr. Responde”, um serviço de “médico a distância” (orientações médicas). O proprietário do serviço colocou à disposição do site de compras nada menos do que 100.000 (cem mil) unidades à disposição dos internautas. Por apenas R$44,50 você tem direito a dez consultas em um ano, de dia ou de noite, ou seja, são oferecidas pela net um milhão de consultas.

Site de Compra Coletiva vende disque-médico.

O proprietário do Dr. Responde Ricardo Marciliano – afirma que a sua equipe é composta por 200 profissionais, dentre médicos, enfermeiros, atendentes, emergencialistas e intensivistas. Todos supostamente com anos de experiência, mas o próprio dono do Dr. Responde não é médico o que, por si só, demosntra o puro interesse mercantil e comercial no negócio, trazendo à tona a intenção de busca de lucro como principal objetivo.

Anúncio do site de compras coletivas que vende consulta médicas por R$44,50.

A oferta de um produto como este pela Internet é algo que se discute há tempos e nunca se encontrou uma alternativa plausível que justificasse a oferta pela Internet. Sites como o www.diagnosticosmedicos.com apresentam uma alternativa a quem procura um diagnóstico pela Internet: basta cadastrar os sintomas para que as prováveis patologias surjam, mas até mesmo este site possui um caráter mais de instruir sobre as diversas possibilidade do que de diagnosticar.

Site de consulta de patologias para efeitos meramente didáticos.

Muito diferente ocorre com o “Dr. Responde”, onde o diagnóstico é realizado pelo telefone ou pela Internet. Preocupa-me esta forma de atendimento, pois com o tempo poderemos até adquirir receitas médicas pela Internet ou enviadas pelo Correios e, o pior, com a consulta realizada sem a presença do paciente.

O proprietário do serviço afirma que pretende popularizar o serviço e vender o cartão “Dr. Responde” em casas lotéricas e bancas de jornais e revistas. É o fim do mundo!

Esqueceu que um dos princípios básicos da medicina é a do diagnóstico com a presença do paciente. Só assim se consegue verificar a real situação do paciente, sintomas etc. A não presença do paciente poderá ensejar diagnósticos errados e falsos, pois quem dá as diretrizes é o paciente que pode achar que é algo que, na verdade, não é.

Não podemos nos esquecer que com a evolução do serviço receitas podem ser dadas via correio ou net e o paciente viciado em alguns medicamentos (barbirúricos, anfetaminas, remédios para emagrecimento e alucinógenos) pode forjar sintomas com o intuito de obter o medicamento.

Além disso, o próprio artigo 37 do Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina, utilizado para fundamentar o serviço do Dr. Responde é o mesmo que determina a necessidade de uma regulamentação por este Conselho, quando consultas forem realizadas sem a presença do paciente. Regulamentação esta que, diga-se de passagem, proíbe a associação de cupons de desconto com serviços médicos.

O próprio ANEXO “G” do CBAP do CONAR, que regulamenta a publicidade  de Médicos, Dentistas, Veterinários, Parteiras, Massagistas, Enfermeiros, Serviços Hospitalares, Paramédicos, Para-hospitalares, Produtos Protéticos e Tratamentos, proíbe a oferta de diagnóstico e/ou tratamento à distância.

Análise realizada pela Folha de S. Paulo sobre os problemas com o "Dr. Responde"

É preciso um atenção criteriosa e uma punição exemplar, pois o Dr. Responde realmente é um descaso com a saúde pública!

About Aldo Batista

Advogado atuante em Campinas, com pós em Direito Empresarial e Processual, MBA em Mkt e Finanças, mestre em Comunicação Social e Doutorando em Direito. Trabalha há mais de 10 anos como professor universitário em diversas instituições, tanto para turmas de graduação como pós. Especialista em Legislação Publicitária, é autor do livro "Publicidade Comparativa". Twitter: @AldoBatista. Confira a apresentação completa dele.

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14 comments

  1. Só posso dizer: É O FIM DO MUNDO!
    Vou ligar lá e falar uns sintomas muito doidos, pra conseguir receita de umas droguinhas boas – rs

  2. Sem esse tipo de "serviço" já se consegue fraudar receitas médicas, imagine agora. Retratos do nosso Brasil, onde sempre tem um malandro querendo atuar de forma ilícita. Pior é ter quem dê crédito a isso.

    • O pior é ninguém fazer algo contra esse absurdo. Cadê o Minsitério Público, ANVISA, Polícia… É um absurdo isso. Imaginemos: uma pessoa liga e fala que esta com uma mancha e a pessoa do outro lado da linha, supostamente médica, pergunta qual a cor da mancha, tamanho etc, depois dá um diagnóstico que é micose e passa um medicamento, mas a mancha é provocada por uma intoxicação ou doença pior. Não tem como fazer diagnóstico sem ver a pessoa.

  3. rs… é o que eu falo. O pior é que eles receitam remédios.

  4. Eu também acho isso um absurdo, mas vamos olhar a situação dos postos de saúde e hospitais (em sua maioria). O cidadão fica 7 horas esperando na fila para ser atendido em 2 minutos, sem o médico examiná-lo e sai de lá com sua receita médica. Se for comparar, é melhor mesmo comprar do Dr. Responde, pelo menos não fica esperando 7 horas.

    Que as pessoas envolvidas para tirar esse site do ar, também pensem na situação real da saúde.

    • Nossa… então Júlio, pelo que entendi, devemos concordar com o site porque a saúde está ruim? Devemos concordar com tudo ruim porque tudo é péssimo? Desculpe, mas não concordo. Trata-se de saúde pública.

  5. putz! É cada coisa no Brasil…

    Lamentavel.

  6. Aldo,

    Entendo e concordo que sem recursos adequados a medicina à distância é inconcebível, tornando-se uma ação criminosa, mas quando se fala que o CONAR proíbe a oferta de diagnóstico e/ou tratamento à distância estamos ignorando (ou melhor, eles estão ignorando) a TELEMEDICINA que, com equipamentos apropriados, consegue fornecer ao médico informações suficientes para ALGUNS diagnósticos à distância.

    Creio que o CONAR terá que rever isso em breve.

    Sobre a medicina em geral, o diagnóstico à distância é apenas o "escracho" do que acontece presencialmente, quando um "pseudo-médico" atende, olhando fixamente para o prontuário, sem sequer tocar no paciente e receita algo em menos de 5 minutos, como foi, recentemente flagrado no programa Profissão Repórter.

    Eu tive uma experiência similar, em que um arremedo de médico colocou a vida de minha filha em risco por dar um diagnóstico precipitado e de uma incompetência ridícula, se ele fosse um residente até poderia ser relevado, mas tratava-se de um médico com décadas de exercício da medicina (ou da anti-medicina).

    Examinou superficialmente, ignorou o histórico médico, receitou os remedios errados, etc… em resumo, ele diagnosticou amigdalite quando era uma gravíssima pneumonia, que quase a levou a óbito.

    Acho que nesse caso nem o Dr. Responde seria tão incompetente.

    E o que tem isso com a história?

    Explico: o problema pode ser bem mais profundo do que a simples oferta de diagnóstico pela internet… pode haver uma deficiência crônica em todo o sistema de saúde, começando pelas faculdades.

    Atenciosamente,

    Rudinei Modezejewski

    • Concordo que existe um grave problema em toda a cadeia médica: do ensino à prestação do serviço. Temos que denunciar tudo isso para tentar melhorar, isso é fato.

    • Também penso Rudinei, mas a telemedicina segura ainda demorará alguns anos para se firmar e, além disso, não é só o CONAR que proíbe, o próprio Código de Ética Médica, recentemente atualizado, tmbém proíbe tal prática., pois não a regulamenta.
      Concordo com a questão das faculdades ruins etc, mas não é o caso só da medicina. Em todas as áreas existem bons e maus profissionais.
      Todavia, não concordo com a permanência de um serviço que com total certeza não será adequado.
      Caso analise melhor a situação do Dr. Responde, verá que existem profissionais (enfermeiros, etc) que não são médicos. O que fazem lá? Dão diagnósticos ou explicam como aplicar uma injenção? Ridículo.
      Quem garante que é um médico lá na outra ponta da linha?

  7. Só acho que não podemos tentar consertar um erro, criando outro.
    Vamos nos mobilizar para mexer na base.

  8. Esse cara assitiu muito ao Dr House e se impolgou.

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