09 de fevereiro de 2011

Cínthia Demaria

A música como forma de comunicação

Os ritmos são uma das primeiras comunicações da humanidade. Há muito tempo que o homem se comunica através da arte emitida por sons. Um estilo musical é capaz de traçar a identidade de uma pessoa, de uma sociedade e porque não de um comercial. A música, quando bem escolhida, pode fazer com que uma marca torne-se reconhecida por qualquer pessoa simplesmente pelo ritmo.

Para falar desta arte no mundo da publicidade, converso com Leonardo Bracarense que é publicitário, designer e baterista da banda The Hells Kitchen Project.

De quais maneiras uma música pode comunicar com o público?

Principalmente através dos sentimentos, seja para trazer tranquilidade, caos, raiva, nostalgia ou qualquer outro. Uma coisa que eu costumo dizer é que não dá para ouvir apenas um estilo musical . Para cada humor que temos ao longo do dia ou da vida temos também um estilo musical ou uma música específica. Espelhamos nosso humor nas músicas que escutamos ao mesmo tempo em que podemos moldar nossos sentimentos de acordo com as canções que ouvimos.

Uma canção é capaz de definir o público alvo de um comercial?
Acredito que sim. Um método para ajudar a definir o público alvo é a criação de personagens que sintetizem as características e os gostos do universo que uma comunicação quer atingir. E nesse caldeirão de opiniões, trejeitos e gostos entram (ou deveriam entrar) as músicas que podem fazer parte da trilha sonora dessas vidas.

A música é vista por muitos como apenas uma forma de lazer e entretenimento. Na sua opinião, como ela pode contribuir para traçar estratégias?
A contribuição da música para traçar estratégias está ligada na mensagem que queremos passar quando comunicamos algo para alguém. O tom da mensagem e os sentimentos que queremos evocar ali podem surgir mais facilmente se temos uma trilha sonora adequada. No caso da propaganda, ela é vista como algo enfadonho quando é feita de maneira burocrática. Mas quando ela se transforma em entretenimento, trazendo humor ou reflexão por exemplo, as pessoas param para ver. Como usar uma criança vestida de Darth Vader para vender um carro ou um armário cheio de cerveja com homens dando “chiliques” com aquilo.

Qual é o papel da música para a consolidação de uma marca?

A música auxilia a marca a transmitir sentimento para seu público. E através dela, o público pode mais do que se identificar, mas tomar aquilo como seu, assim como acontece com a música. Muitas vezes ouvimos a mesma canção inúmeras vezes e a tomamos como nossa e quando uma marca utiliza aquela música, você se sente conectado àquela marca e começa a tomá-la como sua também.

Como é possível usar a música para estabelecer uma comunicação eficiente com o público?

Não apenas os filmes contam com trilhas sonoras, mas também nossas vidas. Sempre temos algum momento que pensamos em uma canção específica na hora de recordar. Na comunicação não é diferente, a música está ali para enriquecer a experiência do espectador e torná-la multi sensorial. E ela acaba sendo a ponte que levará o sentimento de uma mensagem ou campanha para o público.

Há como uma campanha se sustentar apenas através de uma música?
Existem casos famosos de campanhas que incorporaram uma música e aquilo foi muito marcante.
A Microsoft na década de 90 para divulgar o Windows 95 utilizou “Start Me Up” do Rolling Stones. A BMW em sua série antológica The Hire  utilizou “Song 2” do Blur em um dos seus curtas (dirigido por Guy Ritchie e estrelado pela Madonna), a Apple utliza sempre uma banda que está estourando (já passaram por lá bandas como The Vines, The Frattelis, Franz Ferdinand) para divulgar seu iPod. E ainda há também a campanha da Virgin Music, “Exercise Your Music Muscle” (exercite seu músculo musical) que contou com um AD revista sensacional em que o leitor tentaria acertar os nomes das bandas representados no cenário do anúncio, além do vídeo composto por uma animação baseada em nomes de músicas famosas, como “I Shot the Sheriff”, “Tears in Heaven”, “Bulls on Parade” e “Seven Nation Army”.

A música pode complementar uma campanha, como também pode alcançar o retorno não esperado. Quais são os riscos de usar um ritmo não adequado à uma campanha?
O risco de errar no tom é que a campanha acaba não atingindo o público e não gerando o resultado esperado. Por isso o cuidado de escolher sua trilha durante a produção da campanha. Não é simplesmente ir pelo gosto pessoal e achar que está tudo certo. É preciso muitas vezes colocar o gosto pessoal de lado e pensar no gosto do seu público. É como tentar colocar uma bala em um arco e flecha e achar que seu tiro vai funcionar.

Qual é o papel de uma banda para a identidade de uma música em uma campanha?
As músicas refletem a personalidade de uma banda. E a campanha vai buscar um sentimento em sua mensagem compatível com a personalidade da música e consequentemente da banda. 

Na sua avaliação, qual é o grau de proximidade entre a música e a publicidade?

Alto. A publicidade hoje tenta se superar mais do que nunca, especialmente se olharmos as mais premiadas ultimamente. Todas tentam proporcionar uma experiência multi sensorial utilizando basicamente a visão e a audição. E aí a música se torna um elemento chave para tornar a experiência do espectador um sucesso, ou não.

Deixe suas considerações finais sobre o assunto.
Música e comunicação são meios fortes de mexer com os sentimentos das pessoas. Podem causar identificação, mas também repulsa, dependendo da maneira que são utilizadas. E o desafio é exatamente atingir as pessoas, mas sem invadir, mas sempre propondo uma experiência que possa ser significativa.

Saiba mais sobre o entrevistado Leonardo Bracarense

2 "parpite"

1. Tweets that mention A música como forma de comunicação -- Topsy.com publicado em 09 de fevereiro de 2011 às 10:44

[...] This post was mentioned on Twitter by lbraca, Midia21.net, Cika Demaria, TuDiBão, Raiane Carolina and others. Raiane Carolina said: "A música como forma de comunicação." Entrevista com o @lbraca por @cika_demaria para o @TuDiBao: http://minilink.in/lehe [...]

2. Dayse Fonseca publicado em 09 de maio de 2012 às 10:49

Muito proveitosa essa pesquisa.

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