quarta-feira , 20/09/2017
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Plágio ou inspiração? Eis a questão!

Mal foi lançado o logotipo das Olimpíadas de 2016 e já está envolvido em uma polêmica… Felizmente não é pelo mau gosto, como ocorreu com o logotipo da Copa de 2014 (argh!). Desta vez o debate é se houve ou não plágio da marca da Telluride Foundation (de novo eles!!!). Pra quem não lembra, a marca do Carnaval de Salvador de 2004 já foi um plágio descarado desse mesmo logotipo (vejam as imagens).

Mas nesse post quero tratar do tema sobre outro foco, menos “passional” e “artístico” e mais prático, usando os critérios que o INPI usaria para analisar uma marca.

Em primeiro lugar tem que haver uma limitação quanto à atividade, ou seja, se o produto ou serviço distinto pelas marcas é igual, similar, pode causar confusão ou associação. Esse é o primeiro critério que o INPI usa para dizer se uma marca colide ou não com outra.

No caso das Olimpíadas x Telluride Foundation em parte há colidência nas atividades (eventos culturais e desportivos estão na mesma classe), mas é só parcial. Porém, considerando a atividade ESPECÍFICA de cada um, não acho possível alguém ir para as montanhas do Colorado imaginando que está vindo para as Olimpíadas no Rio de Janeiro e vice-versa. Também não imagino que os doadores da Telluride Foundation confundam-se e façam doações para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) ou venham “por engano” para o Brasil. Então essa possibilidade é INEXISTENTE.

Mas se o próprio criador da marca Fred Gelli reconhece semelhanças, o que dizer? O que ele mesmo disse:

“Existem outras com o mesmo conceito. Quando estamos falando de um grupo de pessoas se abraçando, é uma referência ancestral, está no inconsciente coletivo…” Gelli lembra ainda de outra semelhança apontada, com o quadro “A dança”, do pintor francês Matisse (reproduzida abaixo).

Então, é isso ai! Consciente coletivo, inspiração, etc.

Para tornar esse post mais divertido pesquisei sobre outros casos em que houveram acusações de plágio, um dos mais curiosos foi o caso do Capitão Marvel x Superman, vejam à seguir alguns trechos sobre o caso:

O oficial da Primeira Guerra Mundial, Capitão Billy Fawcett, ao se afastar do serviço militar, fundou a editora Fawcett Publications e, após algum tempo publicando revistinhas de piadas decidiu investir no mercado de quadrinhos, principalmente em super-heróis – afinal, eles estavam fazendo um sucesso danado…

Em meados de 1939, Billy Fawcett requisitou ao editor Bill Parker e ao ilustrador – e amigo particular – C. C. Beck, que criassem um super-herói para concorrer com o Superman da National Periodical (isso mesmo, a editora que mais tarde seria conhecida como DC Comics). A dupla então veio com um tal de Captain Thunder (Capitão Trovão) e com uma origem baseada em preceitos sobrenaturais, contrapondo ao apelo pseudocientífico de Superman. Beck inspirou-se nos atores Fred MacMurray e Max Schreck (Nosferatu) para criar as faces de Captain Thunder e Dr. Sivana, o vilão da série, aqui no Brasil, rebatizado como Dr. Silvana.

A revista de estréia do Capitão Trovão chamava-se Flash Comics e foi lançada em janeiro de 1940. Essa publicação foi produzida a toque de caixa, com a capa e miolo em tom acinzentado. Para o leitor entender melhor esse procedimento, a revista tinha um aspecto de fanzine, mesmo. Esse tipo de publicação, hoje, é conhecido pelos especialistas como “Edições Ashcan” e, na época, era normal ver as editoras lançando aos montes essas revistas-protótipo no intuito de garantir a marca delas, já que uma vez editadas, caiam no “conhecimento público” – embora não descartassem o envio das mesmas para os órgãos de registros e patentes. Hoje, os colecionadores pagam verdadeiras fortunas por essas revistas.

OBSERVAÇÃO: Cabe lembrar que a legislação dos EUA é diferente da nossa!

Quem não estava nada feliz com essa badalação toda da Fawcett, era a National/DC, detentora dos direitos de Superman, Batman e cia. Numa manobra judicial, seus advogados tentaram convencer o juiz de que o Capitão Marvel era um plágio descarado de Superman, mas o máximo que conseguiram foi uma constatação da Suprema Corte para o fato de que, embora fosse evidente a semelhança entre os personagens, desde suas fantasias até suas respectivas profissões, o único modo de se comprovar cópia deslavada era examinando história por história (Afêee… e àquela altura do campeonato, quantas centenas de “Supermen” já não existiam?).

Entretanto, esse arranca-rabo entre as duas editoras arrastou-se até 1953 quando, finalmente, a Fawcett desistiu de publicar qualquer história do Capitão Marvel – não por causa do processo em si, ou porque o Superman estava chorando as pitangas na Fortaleza da Solidão, mas sim, porque as revistas do “Queijão Vermelho” não estavam dando o mesmo lucro de outrora (na verdade, os quadrinhos de super-heróis estavam bem por baixo na década de 1950).

Fonte: HQManiacs.com (vale a pena visitar esse link, pois lá você poderá ver a “continuação” da história e como houve uma inversão nessa história de “plágio” porque a DC Comics… bom, é melhor você mesmo ler…)

Mas é só e apenas isso? Não, Claro que não!!!

Vamos avançar no tempo, aperte o FF>> no controle remoto e vamos ver outros super-heróis “inspirados” no Capitão Marvel!

Steven Spielberg apresenta Freakazoid!, que é uma série animada de televisão, criada por Steven Spielberg e Warner Bros. Animation que teve apenas 2 temporadas de 1995 a 1997.

Fonte: Wikipédia

Os Incríveis (título no Brasil) ou The Incredibles – Os Super-Heróis (título em Portugal) (título original: The Incredibles), é a sexta animação da Pixar Animation Studios/Estúdios de Animação Pixar, lançada nos Estados Unidos em 5 de Novembro de 2004 e no Reino Unido em 26 de Novembro de 2004.

Fonte: Wikipédia

CONCLUSÃO: Na minha opinião, o logotipo das Olimpíadas de 2016 pode até ter sido inspirado no da Telluride Foundation, mas ambos são parte de um inconsciente coletivo de imagens que usamos para demonstrar “união + alegria” que se traduzem em silhuetas humanas dançando de mãos dadas e, como MARCA, não vejo colidência entre elas. Que venha 2016!

About Rudinei Modezejewski

Especializado em Propriedade Industrial, com ênfase em marcas e domínios, atuando nessa área desde 1997, trabalha desde 2009 com Marketing Jurídico, sendo que atualmente está se aprimorando em Social Media Marketing (Marketing em Redes Sociais) Twitter: @emarcas. Confira a apresentação completa dele.

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10 comments

  1. Existe uma máxima, que a gente sempre ouve, que é "nada se cria" (prefiro omitir o final).
    Eu costumo dizer que as ideias estão no ar, estão em todo lugar, que viver é um ato de aprendizado, onde vemos, sentimos, aprendemos o que nos agrada ou não…
    Enfim, às vezes é quase impossível fazer algo 100% original, já que tanta coisa já foi feita e que dentro da semiótica sabemos que existem representações que nos levam às significações que queremos, ou seja, o caminho é quase o mesmo, o fim que acaba sendo diferente. Às vezes mais, às vezes menos.
    Não resta dúvida que a inspiração foi a mesma, até porque partiu-se do mesmo conceito, da mesma representação desejada. Entretanto esse logo tem todo um estudo ligado ao Rio (tanto às letras, como ao Pão de Açúcar), uma tridimensionalidade fantástica para representá-lo, enfim, falem o que quiser, mas se é para se preocupar com algum logo, por favor, revejam o logo da Copa do Brasil.

    • Prezada Silvia,

      Esses conceitos repetidos, com maior ou menor grau de inovação, são, na verdade, arquétipos, por isso se repetem em situações similares.

      Eu consegui ver o "Sugar Bread" ontem quando a TV mostrou a peça tridimensional, o que é certo é que com esse barulho todo a Tátil e a nova logo das Olimpíadas do Rio ganharam muuuito espaço na mídia e nas redes sociais, como sempre haverá quem acuse e quem defenda é mídia expontânea garantida por um bom tempo.

      Sob esse aspecto, não foi brilhante o trabalho da Tátil?

      Atenciosamente,

      Rudinei Modezejewski http://www.e-marcas.com.br

      • Mas com certeza nenhuma agência gosta dessa abordagem que seu trabalho possa ser plágio.
        Publicitários e Designers trabalham com criação e o próprio ego deles não aceita muito nem falar em inspiração. Mas concordo com vc, isso faz parte, é matéria-prima.

  2. Criar, copiar, se inspirar, trabalhei no ramo fotográfico na criação de capas de LP's, CD's e DVD's por 25 anos, e perto do que já vi nesta indústria, esta comparação do logotipo do Rio com o da fundação não é nada, inspiração é isso mesmo, todo mundo foi ao museu ver a arte do pintor francês Matisse que baseia-se num método que, segundo ele próprio, consiste em abordar separadamente cada elemento da obra — desenho, cor, composição — e em juntá-los numa síntese, "sem que a eloqüência de um deles seja diminuída pela presença dos outros". Abandonando assim a perspectiva, as técnicas do desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma. (fonte http://thurly.net/0jiw )

  3. Parabéns pelo artigo Rudinei! Muito sensato e nada sensacionalista, como a maioria das bobagens que tenho lido em muito blogs a respeito do assunto. Como uma das agências concorrentes para criação da marca, ficamos muito felizes, mesmo perdendo, com o resultado final. O trabalho da Tátil é irretocável, beira a perfeição no que tange ao design e ao branding. Além do mais, sabemos das inúmeras exigências e restrições impostas pelo COI no briefing. Não é cópia, é design, processo, suor, é uma resposta a um problema muito grande: como representar o Rio, o calor, a afetividade carioca, misturada com o esporte, o espírito olímpico, numa marca que deve ser entendível e memorável em todos os cantos do planeta, e que deve ser aplicada desde uma caneta, até um ginásio, estádio, uma medalha, uma até uma vinheta de TV. A tridimensionalidade da marca também é fator preponderante de diferenciação e engajamento direto com o público. Enfim, como o Fred falou em uma das várias entrevistas que concedeu, esse projeto é o sonho de qualquer designer. Mas não é pra qualquer um fazer. E a Tátil eleva o nome e a reputação do design brasileiro a um novo patamar, com um projeto espetacular, da estratégia ao desenho, da paixão à transformação.

  4. Adorei a marca e gostei do texto e concordo com a premissa de que há uma fonte de inspiração em comum mas não acho que foi a marca da telluride e sim o imaginario citado de "um grupo de pessoas se abraçando, é uma referência ancestral, está no inconsciente coletivo…"

    E mais vejo claramente na marca a produção de duas referências importantes. Vejo a intencional referência ao pão de açucar (já evidenciada pela mídia) e ao nome RIO (R em verde I em amarelo e O em azul e ai pode ser viajem minha)

  5. Eu também acho que não tem nada haver. Acho sim que é um plágio do logotipo da loja Sempre Modas, da cidade de Cachoeirinha/RS.

    Olhem com seus próprios olhos.
    http://img534.imageshack.us/img534/5310/sempremod

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