10 de agosto de 2010
Rick Benetti

Os “sobrinhos” e a falta de profissionalismo

Olá pessoal, voltei! – rs

Hoje vou falar do mal que assola todas as profissões que conheço ligadas ao âmbito digital: “O Sobrinho”, também conhecido como filho(a) do diretor(a), de amigo(a), aquela pessoa que não evoluiu, talvez por não precisar ou por achar que a vida está ganha desta forma.

É fato “o sobrinho” sempre paga suas pizzas, pois ele faz os sites e trabalhos gráficos pelo valor delas. Mas “os sobrinhos” são meramente pessoas que não se preocupam em estudar pra melhorar o que fazem ou, muitas vezes, são pessoas contratadas por empresas que pedem um “faz tudo”, pagando de R$ 500,00 a R$ 1.500,00 (e olha que só no Twitter eu vejo umas 20 vagas destas por dia, um absurdo!).

Voltando aos “sobrinhos”, vemos muitas coisas bizarras feitas por eles, como algumas imagens abaixo ilustram bem (Aviso: as imagens que vou mostrar são muito fortes – de tão feias – pessoas com olhos sensíveis não devem prosseguir):

Bom para ofuscar a vista

A Sílvia já até falou deste aqui em uma postagem há um tempo atrás.

Fui visitar o Brazil Promotion e quis entrar na site da maioria das empresa cujo produto ou serviço me impressionou. Infelizmente seus sites também me impressionaram, mas por um motivo totalmente oposto, já que a maioria deve ter pedido pra um “sobrinho” fazer, pois são sites mal feitos ou que não vendem o produto, muitas vezes que eles não trazem nem claramente as informações. Neste ponto percebemos como é mal investido o dinheiro (se é que algum dinheiro foi investido)

Site da Ludmilla Küll

No site da Ludmilla Küll vemos o uso inadequado de Flash (deve ser aquele “sobrinho” que tá aprendendo a animar), pois vê-se que ao invés de facilitar a visualização e acesso aos produtos, dificulta-se muito, além do peso da animação e ainda temos que considerar que o Google não vai ler o conteúdo, ou seja pelo Google eu não conseguiria encontrar os produtos da Ludmilla Küll como os lixos para carro de Luxo que a Sílvia e eu vimos na Brazil Promotion.

O próximo exemplo é o da Caipirinha Ville, onde gostamos muito do cortador de frutas, que a Sílvia até postou o vídeo na postagem sobre a Brazil Promotion. O produto é genial, facilita e tem um design bacana, já o site me deixou abismados com a falta de investimento (ou investimento nenhum). Nós queríamos foto do produto pra postar no blog e perguntamos se tinha no site dele e eles nos confirmaram ainda falando que a partir de setembro terão uma loja virtual. Poxa que bacana, voltamos empolgados e nos deparamos com a tela abaixo (é só uma imagem mesmo, não vai pra lugar algum e quase nem se lê o “Em Breve”):

Site do Caipirinha Ville

Estes dias recebi um email da Goo to falando de sites grátis para empresas. Ao acessar encontrei o que vocês podem ver abaixo, que é decepcionante! Mais ainda ao clicar para ver como funciona, quando se é levado a outra página que fala que eles fazem tudo de impressão e internet, sendo que os exemplos são de espantar.

Sem palavras sobre este site

Numa brincadeira um amigo me disse que eu deveria ouvir a música de um tal Sandro Lúcio, talvez para o tecno-brega, que é sucesso mais para o nordeste e norte do país, seja até bom, mas eu passei mal. O pior: toca música ao entrar e não tem botão pra pausar ou parar a música.

Cantor de tecnobrega só pode.

Apesar do próximo domínio que vou mostrar ser benetti.com.br, este não possui qualquer ligação comigo. O site é muito impactante, tanto que chega a espantar o visitante. O site tem no alto o título “Inteligência Natural”, mas podemos observar que de inteligência e natural este não possui nada. Tem ou não cara de que foi o “sobrinho” quem fez?

Benetti - Inteligência Natural, onde?

O Pagineiro, um desenvolvedor de páginas web, é o maior exemplo do que é o trabalho dos “sobrinhos”. Até um tempo atrás existia um vídeo na Internet que mostrava bem como era um amador (o que estou chamando de “sobrinho”), porém (in)felizmente o vídeo foi deletado.

Pagineiro ou cara de pau?

A tal empresa oferece desenvolvimento de site por R$ 500,00 e portais por R$ 800,00. Se fosse realmente assim simples porque a Globo, Terra, IG e outros portais investem milhões em equipamentos, pessoal e muito mais? Na verdade podemos caracterizar o Pagineiro como o “cara de pau”. Sim, pois ele já começa mentindo ou ludibriando as pessoas com um dado importantíssimo: desde 1993 fazendo sites. Como assim “desde 1993″? Eu cheguei a pensar “o cara digitou errado”, mas não ele confirma isso. Só que temos um detalhe, até 1995/1996 no Brasil não existiam muitos sites com páginas navegáveis, normalmente eram páginas simples (1 página) e que funcionava exclusivamente no extinto Netscape Navigator ou Mosaic, para a grande maioria era tudo por BBS (Bulletin Board System, um sistema que hoje é chamado de Fóruns).

Estes são alguns poucos casos que demonstram a falta de profissionalismo. Infelizmente os picaretas, sobrinhos e os “caras de pau” (no mal sentido) continuarão existindo não só para desenvolvimento de sites, mas para todo tipo de criação. Cabe a nós, profissionais que estudamos e nos dedicamos, evitar e combater este mal, não abaixando nossos preços a valores ridículos, que sequer pagam nossas contas. É melhor dizer não, do que ficar aceitando e incentivando esse tipo de barganha no mercado.

Para os empresários que estão lendo esta matéria fica um lembrete: baixo valor não constrói uma boa marca e nem mostra o quão profissional é a sua empresa. Confie em profissionais que de fato saibam como construir a sua marca, produto ou serviço na Internet. Alguém que esteja disposto a adquirir algum produto seu, quando entra no seu site e encontra uma série de dificuldades, com certeza ele irá desistir. O barato pode sair muito caro.

21 "parpite"

1. Ricardo Del Bianco publicado em 10 de agosto de 2010 às 15:04

Ricardo

Tenho pavor dos sobrinhos.Costumo falar que o cliente paga 3 vezes: A primeira para o sobrinho a segunda para refazer o site ou a obra e a terceira para consertar a imagem da empresa frente aos clientes. Na minha área encontro sobrinhos e suas obras todos os dias.Com a tecnologia cada vez mais acessível os caras pintam e bordam.

2. Silvia Zampar publicado em 10 de agosto de 2010 às 17:42

Isso qdo não têm que consertar suas imagens perante os concorrentes (que se divertem com os tropeços).
E, realmente, com a tecnologia expandindo, todo mundo acha que é fotógrafo e produtor de vídeos. Lamentável!

3. Riccardo Benetti publicado em 10 de agosto de 2010 às 23:04

A Inclusão Digital está trazendo esta maré já faz tempo, você mesma disse isso né sil, quando disse que o pessoal precisava de um pouco mais de educação.

4. Riccardo Benetti publicado em 10 de agosto de 2010 às 23:07

Pois é Ricardo, eu me deparo com isso quando me pedem sites a 1500 reais e querem portal. Ou quando muitos donos de empresas me vem dizendo: quero um site em flash, quando muitas vezes não cabe o site em flash, até porque o flash é uma tecnologia cara que envolve um profissional específico e que é caro no mercado.

Eu vou combatendo informando que um serviço profissional não se mede pelo preço e sim pela qualidade do que é oferecido.

obs: meu nome é com 2 C, é Riccardo.

5. Silvia Zampar publicado em 10 de agosto de 2010 às 23:14

A inclusão digital possibilitou muitas coisas, mas as pessoas precisam aprender a utilizar as tecnologias e não confundir algo que pode lhe servir muito para sua vida pessoal, como se isso é algo profissional. Tem-se que saber respeitar os limites do equipamento e da falta de conhecimento e técnica.
Deixemos serviços profissionais para os profissionais!

6. Adriano Trenahi publicado em 11 de agosto de 2010 às 9:24

Ótimo Post Riccardo, Fiz um post sobre o mesmo assunto, há algum tempo atrás, de uma empresa que faz TUDO por R$: 250,00, confere lá depois ;)
http://www.webdesignblog.com.br/porque-web-design…

7. Riccardo Benetti publicado em 11 de agosto de 2010 às 22:29

Cara li o seu texto e concordo contigo é um absurdo, recebo ao menos 1 por semana falando: faça o seu site conosco por R$ 50,00 e tenha tudo, inclusive o mundo (só falta isso né).

Absurdo, mas mais absurdo é que empresas e pessoas comprem estes serviços, sempre naquela mania de brasileiro (sim só brasileiro pensa assim) quero ser mais esperto, vou ferrar o outro e me dar bem.

8. Silvia Zampar publicado em 11 de agosto de 2010 às 22:34

Administrativamente falando, eu entendo as empresas procurarem preços menores, inclusive quando estão procurando prestação de serviço.
O que me admira é não se preocuparem em checar a qualidade técnica desse profissional, examinando não apenas portfólio, pois alguns apresentam peças e criações que não são suas, mas também buscando referências.

9. Riccardo Benetti publicado em 11 de agosto de 2010 às 23:10

Sim ainda lidamos com muitos donos de empresas que chegam falando: eu quero aquela cor, aquela animação e aquele estilo, quando isso varia de projeto pra projeto e o Profissional é quem vai saber identificar o melhor para o produto/serviço a ser divulgado.

10. Laura publicado em 16 de agosto de 2010 às 14:25

Muito bom esse post, quando será que profissionais de verdade serão reconhecidos…

11. Riccardo Benetti publicado em 16 de agosto de 2010 às 14:42

Olá Laura,
os profissionais de verdade já são reconhecidos, mas muito pouco em relação aos "sobrinhos" pois somente em poucas agências ou empresas você consegue um mínimo de notoriedade e também vale lembrar que só somos desprezados pelas empresas porque algum profissional aceitou ser um faz tudo pelo menor salário x máxima exploração, temos que ter a vergonha na cara e dizer pra estes empresários: desculpe eu sou profissional, o que você pede é serviço de amador.

12. Julio publicado em 15 de setembro de 2010 às 12:23

Olá a todos, fico triste com comentários onde se deprecia outros isso mostra a verdadeira ética pessoal que influencia o profissional a internet tem esse nome desde 1992 onde no brasil se tinha acesso através da linha telefônica , porem no brasil existe desde 1988 em universidades , afinal trabalho com informatica desde 1989 aos 12 anos de idade , onde conversávamos via DOS. bem essa promoção é promoção, não gostou não compra é simples.

13. Silvia Zampar publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:01

Não faço a menor ideia o que vc quis dizer com seu comentário.
Na verdade, após uma boa pesquisa (pois o texto de seu comentário é desconexo), me toquei que vc é do site "Pagineiro", que foi citado nessa postagem.
O que posso lhe dizer é que alguém que oferece serviços pelo valor que vocês oferecem, com certeza é no máximo um arroz com feijão (tipo 2), o que só atrapalha o mercado, pois clientes acham que esse é o "custo" de um site de verdade (uma ilusão).
Investimentos em estudos qualificados (para ser um bom designer), software e equipe o farão mudar de ideia e talvez o faça ver de como você mesmo estragou seu mercado.
E você trabalhar desde os 12 anos não quer dizer que você o faz bem (nem mal), só que você o faz há muito tempo.

14. Paulo publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:17

Basta aparecer outro de você cobrando a metade do que você cobra, que você vai entender o que o Riccardo quis dizer com o post. De qualquer forma acho que profissional que é profissional não menospreza seu próprio trabalho, muito menos cria uma imagem hipócrita da própria profissão.

15. Thyago Falconi publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:17

Concordo com a Silvia. Nós da área de desenvolvimento de sistemas sabemos que é complicado fazer com que o mercado entenda que, queira ou não, desenvolvimento de software acaba por ser custoso mesmo. Porém traz um retorno muito importante, principalmente para a imagem da empresa.

Site bem feito = Boa imagem!

Eu por exemplo, se entrar no site de uma empresa prestadora de serviços e "me perder" eu imediatamente procuro outro fornecedor.
O que eu acho que você deve entender Júlio, é que não estou em desacordo com a promoção que você fez, muito pelo contrário, acho que ações de marketing fazem a diferença.
O problema é o que a Silvia falou, temos de valorizar o nosso trabalho e cobrar o justo. Caro? Talvez. O importante é cobrar o justo.

Fazendo isso, você não só prejudica nosso trabalho, quanto o seu próprio. Você merece mais que isso.

Afinal, para quem está desde 1900 e bolinha trabalhando na área deveria já estar mais atento a detalhes pequenos como este.

Até mais!

16. Riccardo Benetti publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:20

Boa noite Julio,
Desculpe como a internet é livre eu posso criticar como eu criticaria frente a frente.

O que eu lhe indico, como fiz no final da postagem, se você realmente gosta do que faz, faça um curso de design especializado, compre os aplicativos originais, faça especializações e depois veja se com R$ 800,00 é possível mesmo fazer um portal, uma vez que grandes sites e médios, por assim dizer, investem milhões.

Por favor não prejudique mais a categoria, isso que você faz é aceitável quando você está iniciando, mas não algo para ser vendido, um site deve ser analisado, estudado e só então ter seu preço estipulado.

Atenciosamente,
Riccardo Benetti

17. Silvia Zampar publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:24

Se aparecer outro cobrando a metade, será que ele deixa a promoção dele por R$ 200? Ou será que ai ele entende o que é cobrar pouco?

18. Riccardo Benetti publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:36

Ah propósito, a Internet com este nome existe há muito tempo, mas acho que com páginas navegáveis como um site simples não.
Até 1994 todos os acessos à Internet no Brasil (tirando as faculdades) eram através de redes BBS, como expliquei na postagem, se você utilizava já nessa época, você se aproveitava do acesso de uso científico de universidades para fazer algo, o que já não era correto.
Outra coisa nos comentários não depreciamos ninguém, damos nossa opinião. Existe depreciação na oferta de serviço ruim. Para mim, o que você faz é uma falta de ética e profissionalismo.

19. Silvia Zampar publicado em 15 de setembro de 2010 às 18:53

Benetti, pela pesquisa que fiz para a monografia de minha pós graduação, que foi sobre o uso da Internet, você está correto, sendo que a Internet só começou a ser utilizada de forma maciça e comercialmente a partir de 1997, ai sim começaram a surgir os sites corporativos e, provavelmente, os primeiros web designers (sem essa designação, claro). Eu tive um cliente que foi pioneiro nesse mercado (ele trabalhava com comercialização de sistemas), e me lembro que comecei a atendê-lo nessa época (mas com serviços de propaganda, não sites).

20. Marvio Rocha publicado em 15 de dezembro de 2011 às 15:34

Cara, me lembro muito bem, quando me deparei com um cliente, e eu já sabia que o projeto dele foi feito por um sobrinho! Bem, ele queria por que queria me convencer de fazer o mesmo por R$100,00 sendo que o meu serviço não é o mesmo do sobrinho! Além disso é uma falta de respeito mesmo!

Ainda tem aquele que pega templade Pronto e oferece… E aqueles que revende sites… O modelo de negócio aqui no Brasil, tem mesmo que melhorar muito! Fico indignado com essas coisas!

21. Silvia Zampar publicado em 15 de dezembro de 2011 às 16:17

Cabe a nós, profissionais, tentar melhorar "culturalmente" isso, tanto na cabeça de clientes, como na dos que estão começando.

Parpite você também