30 de julho de 2010

Mario Mancuso

O que são Sketches e porque fazê-los

Bom dia, pessoal

Primeiramente, desculpe-me pela minha ausência na semana passada. Fiquei trancafiado em meu estúdio, isolado do mundo, a mercê de vários jobs que entraram simultaneamente (bom porque é $$$)… Vocês não foram os únicos em quem “dei o cano”. Deixei uma amigo esperando na Paulista por que fiquei preso no estúdio trabalhando…

Mas enfim, ossos do ofício…

Hoje vim falar um pouco para vocês sobre o sketch. Quem frequenta os meios de ilustração e desenho com certeza já escutou este termo. Não há uma tradução literal para o mesmo, sendo que se pode encontrá-lo dentro da TV e do cinema, mas seu significado é diferente, embora a ideia seja próxima.

O sketch nada mais é que uma prática, um exercício descompromissado e não agendado, do desenho. Seria o desenho livre, solto, aquele que você faz enquanto conversa ao telefone, na fila do banco ou sentado no banco da condução, ou apenas sentado em um lugar qualquer vendo os transeuntes – rs

110 % dos ilustradores profissionais recomendam a prática do sketch. A maioria carrega pequenos cadernos consigo para que possam desenhar em qualquer lugar, assim que der vontade ou ao verem algo interessante (como é o caso de meu amigo, o ilustrador Maurilio DNA). Outros organizam seus sketchs em grandes cadernos, chamados sketch books, com um pomposo projeto gráfico, sendo que existe, inclusive, cursos para se elaborar um sketch book.

Outros artistas gostam de adotar os livrinhos moleskine. Trata-se de cadernos importados de bolso com papel diferenciado, que muitos ilustradores dizem ser melhor para desenhar. Eu, particularmente, não adoto os moleskine, pois o preço deles é uma exorbitância e penso que qualquer papel pode ser usado. Adoto pequenos blocos de sulfite 90g, encadernados com espiral, feitos por um amigo. Sai bem mais barato e o resultado é o mesmo! Aqui um link de um artigo interessante falando sobre os moleskines.

O fato é que você pode montar o seu bloco de sketch ou sketch book da forma como achar mais apropriado!

Fazer sketchs é praticar o desenho: uma forma de estudo; uma forma de entretenimento; uma forma de terapia. Muitas escolas de arte no exterior ministram disciplinas voltadas ao sketch na qual alunos saem às ruas e desenham o que veem e que desejam, desde um poste de luz, um hidrante ou um velho sentado no banco, de forma rápida e descontraída.

Outros artistas utilizam o sketch dentro do processo criativo de personagens ou histórias em quadrinhos, realizando diversos estudos destes, anotações etc.


Estudos de Carlos Meglia:

Sketches meus para a HQ Purgatory inspirados em personagens do cinema western:

É importante diferenciar bem o sketch do rough (esboço, croqui), pois este último é uma etapa dentro do processo de criação de uma ilustração. O sketch já está resolvido dentro de si. Cito está diferenciação pois o sketch tem caracteristicas gráficas que muitas vezes lembram um rough, mas a verdade é que ele tanto pode ser um desenho simples de uma pessoa (chamado desenho gestual, no qual procura-se pegar apenas as linhas gerais de movimento da pessoa), ou mais elaborado,  utilizando cores e tintas. Depende do momento e do que houver a mão.

O ilustrador paulista Montalvo Machado promove frequentemente encontros entre ilustradores para realizar sketches ao ar livre em um local determinado. Há também o evento Sketchcrawl, realizado em diversas cidades do mundo simultaneamente, no qual desenhistas, ilustradores e afins, se encontram para desenhar nas ruas. Aqui em São Paulo é organizado pelo Montalvo. Quem for de fora de SP pode organizar o seu ou procurar se já existe em sua cidade.

Agora alguns exemplos de sketches que podemos achar na Internet:

Sketches de G Gatz

 

Sketches de Pascal Alixe

 

Sketches de Marion Boddy-Evans

 

Sketch feito por mim

Abraços e até a semana que vem !

16 "parpite"

1. Silvia Zampar publicado em 30 de julho de 2010 às 12:09

Eu simplesmente ADORO quando aprendo algo novo!
Realmente já tinha ouvido o termo, mas como não sou desenhista não sabia de fato o que significava.
Adorei saber. Valeu, Mancuso!

2. Carlos L. publicado em 30 de julho de 2010 às 9:23

Post muito bacana. Seu sketch também é ótimo. Parabéns.

3. Benetti, Riccardo publicado em 30 de julho de 2010 às 10:40

Muito boa a explicação Mancuso, e lá vou discordar um pouco, desenhar ou escrever em um Moleskine faz muita diferença (ao menos no meu caso), são caros mas eu acho que valem o investimento, mas mesmo assim cada caso é um caso, criar wireframes para os meus sites no meu Moleskine ou escrever um endereço de uma entrevista ou mesmo a lista de supermercados é mais divertido e mais prazeroso com o Moleskine, antes eu comprei vários tipos de cadernos e perdia o ânimo de escrever com o Moleskine eu não perco o ânimo uma vez que não fico ouvindo o ruido de traçar uma linha no papel (gosto particular, a Silvia diz que é psicológico, talvez rs)

O MSK ou Moleskine é feito de um papel que não envelhece (ou melhor demora muito tempo pra envelhecer) são macias as páginas e por isso ao passar o lápis ou caneta sobre a folha não se escuta aquele barulho áspero do sulfite ou outro papel.
E para quem gosta de Moleskine recomendo assistir: http://youtu.be/lSSDtnE4xsc?hd=1 mostra como pode ser utilizado na cozinha com uma divertida animação.

4. tudibao publicado em 30 de julho de 2010 às 14:44

Bom, continuo achando que o efeito dos Moleskines é psicológico: o papel mais fino (que dá a sensação de ser mais macio), mais branco (ou que se conserva branco), uma encadernação bonita e sofisticada (que dá um ar mais profissional às anotações e ao profissional que o usa).
Mas vou pedir a opinião do Roberto Marchesoni, um especialista em papéis, pra nos dizer se um bloquinho feito num offset alto alvura 60 ou 75 g já não dá esse resultado que você aprecia.
A encadernação, com certeza, já é algo mais sofisticado…

5. Roberto Marchesoni publicado em 31 de julho de 2010 às 10:13

Ola amigos
Em primeiro lugar defendo o patriotismo: porque não chamar pelo nome em português.
Moleskine é usado para desenhos principalmente por produtores de pequenas peças de teatro.
Moleskine é um caderno ou agenda pessoal que o miolo e feito com papel italiano.
Papel esse fino maleável e que algumas pessoas preferem usar.
No Brasil temos o mesmo produto com miolo em papel reciclado.
A brancura do papel hoje já não é mais problema, porque todos são alcalinos e não amarelam.
A encadernação do Moleskine é igual à nossa, laminação fosca na capa dura.
Um dos motivos do Moleskine ser mais caro é o acabamento com cantos arredondados.

Abraços
ROberto Carlos Marchesoni

6. tudibao publicado em 31 de julho de 2010 às 13:34

Qual é o nome em português?
O Benetti até comentou comigo que uma amiga comprou fora do Brasil bem barato. O que acontece aqui é que o produto, pra entrar, é taxado com tanto imposto que fica um absurdo.

7. Mario Mancuso publicado em 31 de julho de 2010 às 11:52

bem, eu particularmente acho q o custo/ beneficio do moleskine não compensa. Na FNAC custa mais de R$ 50,00 !! De toda forma, o papel é importante mas é o habito e a decisão de fazer os sketches é o que conta. Meu amigo Maurilio (mauriliodna@gmail.com) produz bloquinhos de sulfie com capa dura muito bons. São os que uso.
abs

8. Jeronimo publicado em 08 de julho de 2011 às 16:16

Desculpe a franquesa mas, gestão gestor e suas derivações, é um modo de chamar pessoas que não são formadas em Administração e querem ocupar o espaço.

9. Silvia Zampar publicado em 09 de julho de 2011 às 13:27

Não tem porque se desculpar em dar sua opinião. Sim, seu pensamento tem fundamento, mas não são apenas os Administradores de empresa que são chamados de Gestor. Outros profissionais tbm assim o são chamados, mas aqui eu quis explicar o que é "Gestão" a título de cursos.

10. Aline Reis publicado em 20 de julho de 2011 às 18:44

Oi Silvia!!!
Olha que coincidência!
Procurei no google o significado da palavra Gestão e encontrei o seu site que foi mt esclarecedor e qd fui ver quem era o criador, descobri que era vc, minha ex-professora do curso de design gráfico na UNIP, me formei em 2008…tenho até vc no face…rs…Parabens pelo blog!

Bjos

11. Silvia Zampar publicado em 28 de julho de 2011 às 19:34

Poxa, que bom nos reencontrarmos, mesmo que virtualmente.
Estou sempre nesses canais virtuais, procure qdo quiser. Valeu!

12. Cristiane publicado em 06 de agosto de 2011 às 9:34

Que matéria perfeita!!! que bom saber que você é de Jundiaí e que da aulas na Unip…te achei super inteligente! Da orgulho de encontrar pessoas assim!
Abraços
Cristiane

13. luis claudio publicado em 07 de agosto de 2011 às 9:24

Boa definição para o termo

14. Silvia Zampar publicado em 08 de agosto de 2011 às 11:13

Quem escreveu esse post foi o Mancuso, que é de SP. Mas eu estou aqui por Jundiaí (também – rs)
Valeu!

15. Ivan publicado em 04 de setembro de 2011 às 20:46

Tecnólogo também é GRADUADO!
Bacharel e Licenciado idem!

Ou seja ambos são cursos de graduação. A nomenclatura que os difere é Bacharelado,Licenciatura e Tenológico.

16. Silvia Zampar publicado em 04 de setembro de 2011 às 20:53

Já houve um outro leitor que comentou dessa forma. Agradeço seu comentário.

Parpite você também