11 de junho de 2010

Silvia Zampar

A Lei Cidade Limpa foi a solução para São Paulo?

Eu sempre que vou à São Paulo (pelo menos uma ou duas vezes por semana, quando vou dar aula), olho em volta e me pergunto se, afinal de contas, será que São Paulo precisava apenas da Lei Cidade Limpa para resolver seus problemas, afinal de contas, olho para os lados e vejo tanta coisa pra ser feita que me pergunto se a prefeitura não se preocupou com a coisa errada.

Aliás, há pouco tempo li a notícia que vem por ai a segunda fase do Cidade Limpa, que agora querem regulamentar a iluminação dos prédios, pois o prefeito anda achando abusiva a iluminação que alguns prédios dão aos seus letreiros (aff, esse povo da prefeitura passa mal…)

Os cartoons que publicamos são do Dorinho, sendo que esse foi originalmente publicado na Revista da ESPM.

2 "parpite"

1. midiageografica publicado em 11 de junho de 2010 às 11:07

O que seria uma cidade limpa?

Que tal começarmos pelo pai dos burros:

limpo
adj.
adj.
1. Isento de sujidade ou imundície; asseado.
2. Sem corpos estranhos.
3. Sem culpas.
4. Desanuviado; puro.
5. Em que não há doença suspeita.
6. Não infestado.
7. Mondado.

A simbologia dos termos utilizados nesse projeto CIDADE LIMPA "promete" muita coisa não?! Contudo, o fato é que a lei eliminou um elemento da paisagem urbana: os painéis publicitários. Como essa ação foi amplamente realizada através de um rolocompressor jurídico* e com ampla divulgação nos meios de comunicação** é de se preocupar que alguns julguem a Cidade LIMPA exclusivamente por conta da ausência dos painéis publicitários.

Todos reconhecem a necessidade da diminuição dos anúncios em São Paulo, até os próprios empresários do meio. E, por conhecimento de causa posso afirmar que tínhamos uma ótima legislação (lei 12115, antes da 13525 e da 14016-C. Limpa). Ocorre que lei depende da aplicação e nesse caso dependíamos de um sistema fiscal que demonstrou-se falho ao passo que alguns empresários exageravam na dose também.

Quando falamos de política, devemos ter sempre em conta que toda e qualquer ação é produto de uma demanda social (o meio) e particular (o agente). Isso nunca pode ser perdido de vista. Após 3 anos da aplicação do projeto, o prefeito leva à Câmara Municipal um Projeto de Lei para implantação dos Mobiliários urbanos com publicidade. O relator do projeto informa que se trata da maior concessão pública – do tema – na América Latina.
(http://midiageografica.wordpress.com/2010/06/02/publicidade-em-mobiliario-urbano). Já ouvi números na casa de Bilhões.

Infelizmente não se amarra cachorro com linguiça nessa terra!!!

* Todas as liminares foram derrubadas em prazo recorde em SP e Brasília, coisa que poderia levar anos para julgamento foi votada em dias. No caso da lei em si é consenso que ela é incosntitucional por não respeitar a livre iniciativa e por autuar sem necessidade de notificar (essa última garantiu o êxito do projeto)

** P/ onde vai a verba da Mídia Exterior???? Para outras mídias concordam???

My recent post Exposição de Cartazes Russos em SP

2. tudibao publicado em 11 de junho de 2010 às 16:30

Nossa, que comentário bacana, cheio de informações, amei!
Deixe-me ir por partes, para comentar:
- A grande "sacada" de todo esse projeto do Sr. Prefeito de SP e Cia. foi o nome, não resta dúvidas. O Mkt que esse nome carregou foi incrível, afinal de contas, quem, em sã consciência, seria contra uma lei que propõe deixar a cidade LIMPA.
- Claro que as demais mídias (TV, rádio, jornal, revista) apoiavam o projeto, já que a verba tirada da ME iria para eles (óbvio). Eu achava até engraçado ver as reportagens na TV mostrando prédios lindos e históricos que "surgiram" com a retirada dos quadros de outdoor… O engraçado é que não vi ninguém mostrar os "lixos e muquifos" que tbm foram expostos quando essas peças foram removidas (sendo que era só isso que eu vi nas marginais, onde até as favelas apareceram melhor).
- Realmente, o grande ataque foi à mídia exterior, que eu tbm tenho grande conhecimento de causa, pois fui gerente da Clear Channel Jundiaí por quase 3 anos e em S.Paulo tínhamos centenas de quadros, todos 100% regularizados, todos que eram vendidos 100% com nota (o que gera ISS para a prefeitura e imposto de veiculação), e foram todos removidos, assim como quem não era regularizado, ou que não gerava impostos.
- São Paulo tinha mesmo um problema muito grande com os outdoors irregulares. Culpa das prefeituras anteriores, que não tiveram pulso firme para fiscalizar. Essa nova administração percebeu que o problema era tão grande que a única maneira seria "fechar a casa para balanço" = acabar com tudo, para quem sabe um dia começar tudo de novo. O que não se sabia (as previsões não diziam isso) é que somente 10% dos quadros de SP estavam regularizados.
- O projeto de serem implantados os mobiliários urbanos na cidade, sendo eles os únicos meios de mídia exterior em SP, já era falado desde a época da implantação da lei, sendo que acho perfeitamente correto uma cidade como São Paulo buscar alternativas para ME, de forma que isso beneficie a população (que é o princípio das peças de mobiliário urbano), que seja bonito para a cidade (aquele monte de quadros de outdoor desordenados, alguns com aparência de "favelinha" não ajudavam em nada). O que realmente espero é que a licitação seja transparente e não com cartas marcadas, como vemos tanta coisa acontecer nessa terra.
Infelizmente em São Paulo só nos resta torcer para vir um prefeito com menos implicância com as mídias exteriores, permitindo outras formas, como os painéis que existiam na USP ou Jóquei, e também as inovadoras ações de Marketing de Guerrilha, que não poluem e são bem recebidas pelo público em geral (que é para quem essa prefeitura trabalha).
Obrigada por sua gentil contribuição com esse blog.

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