24 de maio de 2010

Silvia Zampar

O mal que assola os flyers de Baladas e Shows

Não sei o que acontece que as artes para panfletos/flyers de Shows, Baladas, Festas e Eventos têm se tornado um verdadeiro “circo de horrores”.

Na verdade, eu tenho minha suposição: os trabalhos são feitos por pessoas não qualificadas (os chamados “micreiros”), que se sujeitam a fazer isso por qualquer valorzinho que lhes paguem, são “profissionais” (assim mesmo, com aspas) sem qualquer conhecimento teórico, que não têm noção de estética, a respeito de aplicações de cores, fontes, limites de elementos numa arte. Estes associam a palavra “festa” à uma arte absolutamente rebuscada, como se isso fosse sinônimo de algo festivo. Ah! E tem o caso dos “faz tudo”: o “cara” organiza a festa, corre atrás dos patrocínios e atrações, às vezes é o DJ da mesma, faz a arte e tem até aqueles que têm uma gráfica rápida (puxa vida!).

Além disso, muitas dessas festas acabam tendo muita coisa pra informar: muitas atrações, muitos DJ’s ou artistas; geralmente acabam pegando muitos patrocinadores, sendo que para todos é feito a promessa de colocar seus logotipos em todo material de divulgação; enfim, não dá para seguir a regra básica de que “menos é mais”.

Hoje, imbuída eu no propósito de fazê-los ficar enojados com o que vou mostrar e, com isso, nunca nem pensarem em fazer nada parecido, publico abaixo uma coletânea do mal (rs), de alguma coisa ruim que já vi nesse tipo de material.

1. Excesso de informação, de “firulas” e até com erro (o correto é Nike Shox – ou será que grafaram Nicke Shok para reforçar que trata-se de um tênis falso? – rs)

2. Texto todos em caixa alta e sobre imagem (e nem se percebe a imagem, então só serviu para poluir)

2. Texto todos em caixa alta e sobre imagem (e nem se imagens e texto) e fontes muito pequenas

4. Festa de cores (sem motivo – só serviu para poluir)

5. Excesso de fotos (junto com o flyer eles distribuem lupas, para você conseguir ver a atração)

6. Texto no rosto da modelo (quem faz uma coisa dessas?????), além do excesso de fontes diferentes e inadequadas, excesso de logos, etc.

7. Excesso de tudo (sei que é uma “festa”, mas não precisa doer nos olhos. A única coisa boa nesse flyer é a DJ do cantinho inferior esquerdo: Gaby Zampar – rs)

8. Desordem (esse é o típico exemplo de: “joga tudo pra cima e onde cair, fica!” – apesar que aqui tem vários outros probleminhas tbm…)


9. Excesso de fontes diferentes (consegui contar 11 fontes no corpo do flyer, fora o que tem nos logotipos, que ai não se tem como controlar. Acho que resolveram testar todas as fontes instaladas no computador)

18 "parpite"

1. Riccardo Benetti publicado em 24 de maio de 2010 às 7:33

Realmente é uma festa, o que fazem com estes flyers, sem contar os anúnicios colados em postes e paredes (aqueles que sujam e destroem muros de prédios ou sob as pontes no centro de São Paulo.

E aí será que um dia virá a vez dos banners que são pendurados entre ruas? aqueles são feios além de sim deixarem feio as ruas e calçadas com os feios se acumulando.

2. Marcus Paulo Tavares publicado em 24 de maio de 2010 às 8:57

Todo dia recebo um desses.
Eles são assim porque normalmente a qualidade do flyer acompanha a qualidade das atrações…rsss

abraços!

3. tudibao publicado em 24 de maio de 2010 às 14:11

Concordo com vc, tudo isso é um horror, mas felizmente as legislações coibiram esse monte de cartazes lambe-lambe (esses que vc fala em muros, tapumes, paredes). Em SP então, colocou, dançou – rs
Em SP vc não pode nem colocar cartaz procurando por pessoas desaparecidas que é notificado pela prefeitura (eles não abrandam nada), mas acho que se tem a lei, é pra todos (podemos não concordar com a lei, mas se ela existe, é pra todos).

4. tudibao publicado em 24 de maio de 2010 às 15:19

hahaha – olha que isso eu nem sei, pois não costumo ir a esses eventos.
Mas acho que o pessoal tem achado que isso é sinônimo de material de divulgação de festa, sem pensar em conceito, adequação, harmonia, nada…
Uma pena!

5. Rodrigo Giraldi publicado em 24 de maio de 2010 às 12:28

O público dessas festas se acostumaram com esse tipo de layout, até quem sabe fazer acaba caindo nessa "sopa de letras e imagens", por conta de pedido do cliente ou porque sabe do impacto. Já vi gente jogar fora um flyer limpo e bonito por que achou que era convite de restaurante, e vejo galera reunida lendo cada item de um flyer poluído e imaginando o tipo de festa que virá. A confusão visual destes flyer refletem o tipo do público que vão a tais festas.
Não estou defendendo esses layouts, eu faria diferente e tentaria convencer meu cliente a mudar o estilo. Porém, as festas têm funcionado assim há muito tempo, então acho que vai demorar um pouco ainda para mudar cliente e público
É como um cara que recebe um panfleto de pizzaria horroso e vai logo pro telefone e tem medo ligar na pizzaria de folder bacana porque acha que será caro demais (bem, será mesmo)

6. tudibao publicado em 24 de maio de 2010 às 15:45

Achei super pertinente seu comentário. Acredito que vc esteja corretíssimo.
Mas acho que a maioria desses flyers não são feitos por profissionais que tenham qualquer qualificação de design gráfico, já que esse povo geralmente não tem verba pra nada, e qdo vão falar com alguém é pra propor parceria: "faz ai e coloca teu logo"… Até parece que cliente (que tenha potencial para contratar um Designer ou agência) olham esses flyers…

7. Laylson publicado em 24 de maio de 2010 às 13:38

A coisa é mais cultural mesmo… Se o flyer for requintado espanta por acharem que é caro e com relação às cores e o texto em excesso, com certeza é pq o cliente quer que apareça todas as atrações, tenha todas as informações em um espaço diminuto. E quem faz a arte tem que "dançar conforme a música", independente do seu gosto pessoal.

8. tudibao publicado em 24 de maio de 2010 às 16:54

Sim, tbm acho que é cultural. Virou meio padrão esse estilo ai.
Mas acho que já chegou a hora de combatermos isso, não é mesmo?

9. tudibao publicado em 24 de maio de 2010 às 16:56

Penso assim tbm, Nelson.
Mas veja que já virou um padrão (ruim, mas padrão) que minha filha viu e falou: é flyer de festa mãe, tem que ser assim.
Acho que temos que trabalhar como formiguinhas, pra mostrar que isso pode ser melhorado.

10. Nelson publicado em 24 de maio de 2010 às 14:12

Concordo em gênero, número e grau com o post acima. É perceptível o baixíssimo grau de instrução das pessoas que elaboram essas artes. São pessoas sem um mínimo de bom senso, gosto estético, nem formação. Muitos acham que só porque fizeram um curso de “Corel Draw” podem sair por aí fazendo o que derem na telha, roubando jobs e desmerecendo as profissões de designers e publicitários.

Não acredito que por mais que a maioria desses flyers sejam de festas de um nível menos elevado, que as pessoas que a frequentam sejam obrigadas a se deparar com esses absurdos..

É mais fácil fazer algo complicado, cheio que informações, fotos, e textos que reduzir tudo à simplicidade né? Não é atoa que aquela frase “O menos é mais” é tão difícil de ser adotado por algumas pessoas.

11. amanda publicado em 25 de maio de 2010 às 15:43

Iria postar o msmo que disse o Rodrigo. Meu namorado é designer formado e dos bons ( não pq é meu namorado rs.) e trabalhava em uma agência d e eventos, ele tinha que fazer coisas do tipo. Obviamente que ele tentava fazer da melhor maneira possível mas o cliente sempre quer mais informações no menor espaço e mais coisas "fanfas" porque acha que atrai o público e dependendo do público, eles gostam mesmo de coisa assim! É triste, mas é a realidade cultural de algumas tribos (digamos). E não é só no Brasil, morei na Itália e pelas viagens na Europa vi muita coisa assim por lá!

12. tudibao publicado em 25 de maio de 2010 às 19:15

Mas que dói os nossos olhos, isso dói, né?

13. Alexandre publicado em 26 de maio de 2010 às 0:54

Como citado acima, o cliente é o grande mal da história que acabam com o portfolio de bons designers. Lógico que existem os micreiros que nos fazem doer os olhos. Eu mesmo pego um flyer desse e nem leio. Se o dono da festa não se preocupou com quem vai ler, imagina com quem vai consumir.
Tenho um cliente que é formado em jornalismo e já foi jornalista, tem um restaurante, faz uma porrada de coisa e que não tem a mínima noção de designer e se diz O designer.
Vivo brigando com ele pela encheção de linguiça que ele me pede para colocar nos flyers de mailing, maaaaasss como é ele que está pagando (e bem por sinal) tento desdobrar ele o máximo para não ficar MUITO tosco. Fica um pouco mas fazer o que? Mal de jornalista querer falar demais para o público. Só que esquece que ele não está mandando uma coluna e sim uma divulgação onde concordo plenamente que MENOS É MAIS.

14. tudibao publicado em 26 de maio de 2010 às 21:48

Então, vc tocou numa briga antiga: publicitários x jornalistas.
Os jornalistas gostam de falar que publicitários fazem textos rebuscados, que não dizem nada de concreto, que conseguem colocar numa frase com 5 palavras, 4 adjetivos; que se metem a fazer textos que deveriam solicitar para jornalistas…
Mas eu tbm conheço alguns jornalistas que começam a fazer jornalecos (de bairros, clubes e entidades) pra ganhar dinheiro (já que é a maneira de "se virar") ai vendem anúncios que eles mesmos fazem a arte – além, é claro, de fazerem a diagramação do jornal e tudo mais.
Que tal: "cada macaco no seu galho"?
Valeu por comentar, Alexandre!

15. Roberto Marchesoni publicado em 27 de maio de 2010 às 15:03

Flyers:Começando por quem vai fazer a propaganda e chegando a quem cria,só se busca o (PRECINHO) e ai chega ao consumidor (maioria) infelismente que sequer analisa o que esta vendo e lendo.
Uma pena a midia impressa chegar a esse ponto.
Mas ainda tem aqueles que buscam qualidade desde o inicio de um projeto,chegando a um publico mais exigente.

16. tudibao publicado em 27 de maio de 2010 às 19:59

Pois é…
Nós aqui do TuDiBão temos que partir do princípio que todo mundo quer fazer e ver um bom trabalho – rs

17. Igor publicado em 15 de setembro de 2010 às 16:56

Balada é isso ai. É festa! Tem que se dar um jeito pra tudo, e fazer acontecer com todo mundo ajudando. Transformar simples festas de amigos em mais uma industria é delicado. A arte do "nao-profissional" tem o seu valor. Aluga-ce, tem valor. Nike Shoke, tem o seu valor. Não menosprezo a arte popular!

18. Silvia Zampar publicado em 15 de setembro de 2010 às 17:06

Acho que a necessidade faz com que se faça loucuras: a casa construída sem cálculos estruturais, p.ex., é como esses flyers de festas que, cá entre nós, chamar de "arte popular" é ofender o verdadeiro sentido desse termo.
Isso é artezinha montada por "micreiro" que acha que faz design gráfico.
E os erros de português que você mesmo apontam, só mostram a falta de qualidade desses profissionais (até uma criança de 8 anos faria melhor).

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