15 de abril de 2010
Joao Pitanga

A vilã na terra dos criativos

“A criatividade não tem limites. Viaje, ouse, faça diferente!”. São esses conceitos que a maioria dos estudantes tem na cabeça quando sai da faculdade. Do mesmo jeito que os “pilhados” em se tornar redator ou diretor de arte saem dos cursos mágicos de criação. Assim como eu já saí dos livros que dão dicas sobre como ser um grande criativo. Mas eis que, nesse mundo de encanto e fantasia, entram em cena os vilões.

Lei. Justiça. Anvisa. Contran. Conar. Tudo a favor do consumidor e contra a criatividade.

O primeiro capítulo começou com o Conar jogando a maldição em cima da marca de cerveja Devassa, barrando seu comercial com a danada Paris Hilton. Tudo porque, numa época em que as bundas e os silicones eram expostos no carnaval carioca, um consumidor não satisfeito abriu queixa declarando ter se sentido atingido pela “sensualidade da propaganda”.

Agora anote aí no seu bloquinho de ideias a moral da história: Criar propaganda sensual, não pode. É jogo sujo com os consumidores.

O mais novo capítulo é que foi anunciado que a publicidade da indústria automobilística deverá trazer uma mensagem educativa, tipo aquelas das campanhas de cerveja: beba com moderação. Ok, entendemos que tudo isso é pra mostrar que propaganda também é boazinha, conscientiza os jovens a não saírem dirigindo por aí depois de tomar uma Brahma.

Pensando como redator e profissional da área, eu perco uns 3 segundos de algo que eu poderia inserir para dar uma informação que o Brasil já devia ter dado aos jovens desde que esses entraram na escola. Agora nas campanhas de automóveis virá: Coloque cinto de segurança. Use sempre o capacete.

Pra mim, isso não é informação, é chamar o povo de ignorante, inconsequente, irresponsável, transformando o comercial em uma mini aula de trânsito.

E assim vamos ficando sem alguns preciosos segundos nos spots de rádio e comerciais da vida. Perde a publicidade, perde a nossa profissão, perde-se o direito de criar sem limites. Mas, bola pra frente. Acima de tudo somos criativos e não desistimos nunca.

8 "parpite"

1. TuDiBão publicado em 15 de abril de 2010 às 10:32

João, tenho que discordar de você que perde a criatividade com isso.
Eu diria: fica mais difícil, já que perdemos tempo "utilizável" para a própria informação do produto, mas dificultar não quer dizer que se perca a criatividade, afinal de contas, deve ser na adversidade que se vê realmente quem é bom, ou não é.
Veja, aparentemente seria fácil pra qlqr um conseguir passar uma mensagem se tivesse uns 3 minutos. 30 segundos é um desafio, menos os 4 de informações obrigatórias ou técnicas, menos 4 ou 5 de assinatura, restam ao criativo uns míseros 20 segundos. Fácil? Dificílimo, e é ai que se separa o joio do trigo – rs.
Independente de dificuldades ou não, algumas advertências têm-se mostrado eficazes para agir no subconsciente do consumidor. Pode ser horrível ver aquela mensagem, mas se faz efeito, então o fim justifica os meios.
Acho que a propaganda realmente tem que parar de ser irresponsável, de mostrar atitudes erradas, como alguém bebendo e dirigindo, ou como se algo péssimo fosse bom à saúde (lembro-me das propagandas do cigarro Free que mostravam que ele é uma atitude saudável – um absurdo).
Entretanto também sou da opinião que se comprovadamente é algo maléfico à saúde, então não basta limitar ou proibir a propaganda (como fizeram com o cigarro), proíbam a venda, senão o mal continua sendo vendido. De que adianta não poder fazer propaganda se pode ser vendido? Me parece "tapar o sol com a peneira", ou seja, a gente finge que não existe e pronto.
Infelizmente as limitações e obrigações surgem para coibir abusos. Vemos isso agora com o Photoshop: será preciso proibir ou obrigar colocar uma tarja com "foto manipulada", para depois os criativos verem que estavam abusando e que essa nova regra está coibindo a criação?

2. joaopitanga publicado em 15 de abril de 2010 às 12:17

Pelo contrário. Não acho que perdemos criatividade com isso. Perdemos mais espaço de poder trabalhar com uma mídia que foi comprada pelo cliente. Ele comprou 30 segundos pra divulgar sua marca na tv ou rádio, acaba que no final usufrui apenas 26 ou 27s, porque foi determinado um espaço para a parte burocrática da coisa.

O que quero reforçar é que não é através de uma simples frase num comercial que o brasileiro vai se conscientizar. E a gente sabe que não é bem por aí.

3. tudibao publicado em 15 de abril de 2010 às 12:28

Realmente, não estamos falando que a frase ajude na "conscientização", mas pesquisas provam que ajudam a gravar no subconsciente e isso pode trazer efeitos positivos. Infelizmente, os fins justificam os meios. Talvez se tivéssemos uma cultura mais voltada para o indivíduo, pelo que ele é e não pelo que ele possui ou tem que demonstrar, talvez não fosse necessário. Mas as famílias deixam os filhos serem criados pelas babás eletrônicas, então elas têm que passar essas "mensagens", mesmo que para o inconsciente – rs

4. tudibao publicado em 15 de abril de 2010 às 16:54

(441) É que nós, do país do carnaval das "musas" peladas, nos ofendemos facilmente – hahaha – só rindo mesmo!

5. mauro #PSVsite publicado em 15 de abril de 2010 às 17:31

Pessoal do Conar estudou na Uniban.
E não é fácil achar um gag na medida tendo tomados esses segundos aí mesmo. concordo, pacas, joão.
Encaixe essas infos em spots vencedores do ccsp pra vc ver como perde a graça. ou apressa tudo.
http://www.psvsite.com/galeria
http://www.psvsite.com/cronicas

6. tudibao publicado em 15 de abril de 2010 às 19:00

(443) Sim, concordo, mas ainda acho que é válido. E qto mais difícil, mais gente desiste, e sobra mais vagas no mercado pros insistentes – hahaha

7. @betinhoafc publicado em 17 de abril de 2010 às 3:23

o que ele falou é verdade, isso sao coisas que devem ser passadas na educação de cada um, desde a familia, e pela escola também. Isso acaba prejudicando o profissional desta area

8. @reetonin publicado em 26 de abril de 2010 às 15:29

Com certeza… concordo com o @betinhoafc! Esses fóruns com discussào são muito interessantes pra nós, da comunicação. Parabéns pel otexto, muito bem escrito.

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