30 de abril de 2010

Mario Mancuso

Entrevista com Márcio Ramos e o que é Pontilhismo

Olá, pessoal!

Hoje trago algo diferente para vocês. Ao invés de dissertar sobre um assunto, como faço toda semana, vou trazer uma entrevista feita com o simpaticíssimo ilustrador paulistano Márcio Ramos (ele se apresenta assim mesmo), dono de um estilo extremamente trabalhoso, pautado na técnica manual do pontilhismo.

Pontilhismo é uma técnica de pintura, saída do movimento impressionista, que é feita apenas com pontos, sendo que estes são dispostos juntos e/ou a certa distância para conseguirem, pela justaposição, provocar uma mistura óptica nos olhos do observador, fazendo com que este veja uma imagem fechada (e não os pontos em si).

Ramos tem uma talento que vem extrapolando as fronteiras brasileiras, sendo que esta entrevista foi feita via MSN na última 2ª feira, dia 26/04, confiram:


Quando você começou a ilustrar? E como?

Comecei em 2000, meu primeiro trabalho foi para White Wolf Publishers, eu já jogava RPG (Rolling Player Game) e tinha vontade de ilustrar os livros, então selecionei as editoras e mandei portfólio. Das 200 e poucas, 30 responderam e 12 viraram trabalho.


Você já utilizava a técnica de pontilhismo ou tinha outro estilo?

Na época só desenhava estilo comics, achava o máximo as ilustrações ao estilo (Marc) Alex Sunder para os pôsteres de Encontros de RPG e seguia a mesma linha, tanto que meu primeiro livro de desenho foi ”How to draw comics in the Marvel Way”. Pontilhismo mesmo só na Faculdade, quando comecei a estudar sobre isso.


Hoje seu trabalho se caracteriza principalmente pelo pontilhismo, certo? Como foi essa transição e a decisão de embarcar em um estilo como esse?

Pois é, hoje é só pontilhismo, a primeira tela estava em exposição na faculdade e foi arrematada, então veio a segunda tela, eu fiz questão de mostrar a todos da faculdade o trabalho e colher opiniões, no final do terceiro mês, já estava vendida. Então veio o ”clik’: eu tinha um trabalho diferenciado na mão. Pesquisei por dois meses por referencias de artistas brasileiros e vi que não tinha ninguém fazendo o mesmo, então decidi que seria este o meu trabalho.


Além do pontilhismo, você trabalha com outros estilos?

Alem do pontilhismo eu trabalho com Escultura para Animação, Animação 2D, Gravuras e Talho doce, mas tem uns dois anos que o foco é só pontilhismo.


Você fez faculdade de que e onde?

Fiz Belas Artes em Sao Paulo – Artes Plásticas, na sequência ganhei uma bolsa de especialização para estudar Impressionismo (a reitoria apostou no trabalho de pontilhismo) e atualmente faço pós graduação em Pintura realista.

Muita gente diz que ilustrador não precisa de faculdade. Como você avalia isto e como foi com você?

Eu não acredito em autodidata, mesmo que não faça uma faculdade, que pelo menos frequente algum curso de alguma técnica. Mesmo que se faça alguma experimentação, você precisa de orientação teórica e prática sobre o seu trabalho. Na faculdade eu optei a estudar desenho, escultura e Pontilhismo, e passei ”por cima” de outras técnicas, na pós-graduação é o meu primeiro contato com o óleo.


Voltando ao pontilhismo, alguns ilustradores se caracterizam por terem vários estilos, outros por terem um único estilo. Você atua apenas neste estilo. Não acha que isso restringe sua atuação profissional?

Após pesquisar no mercado brasileiro de ilustração quem trabalhava com este estilo, encontrei 2 pessoas, e eram profissionais exclusivos para Ilustração Científica. Depois resolvi abraçar o estilo de trabalho americano, especialista, com isso você não procura clientes e sim o contrário, pois você é o único que faz e faz melhor. Eu decidi arriscar e deu certo, mesmo porque posso ”selecionar” com quem quero trabalhar.


E como seus clientes chegam até você?

Eu decidi trabalhar com nichos, por exemplo, fui até uma feira de Ferreomodelismo e vi que os entusiastas e colecionadores gastavam muito com o hobby, então fiz um teste, pontilhilhei um tema ferroviário e levei num encontro e imprimi cartões. Em menos de uma hora se iniciou um ”leilão” de quem dava o maior lance pela tela. Esgotei os cartões. Daí para frente, todos os contatos foram via site.

O mesmo aconteceu com Ilustração cientifica, levei um trabalho e conversei com alguns pesquisadores e deixei cartões nas faculdades e centros de pesquisas, dai para frente correu no ”boca a boca” e todos faziam contato via site.

E você tem clientes no mercado externo também, certo?

Atualmente 90% dos meus clientes são colecionadores de arte e 10% representam o mercado editorial e científico. Dos colecionadores, somente dois são brasileiros.


Como você conseguiu esses clientes estrangeiros? Através do seu site, fóruns… Como?

Desde que comecei no pontilhismo de maneira profissional, tenho frequentado fóruns de Arte e Ilustração no exterior, procurando saber o que acontecia no mundo e quem mais trabalhava o estilo. Através destes conheci Randy Glass e Noli Novak (pontilhistas do Wall Street Journal) e outros grandes artistas americanos e europeus. E meu trabalho chamou atenção pelo nível de detalhamento e realismo, daí para a primeira encomenda foi um pulo.


Pra finalizar, que dicas você daria pra quem está começando como ilustrador?

Estudar muito desenho e técnicas de Arte, assim você descobre que não só existe o mercado de ilustração, como também o de Arte e nichos de trabalho. E se especializar, tornar seu trabalho único porque só assim ele terá a atenção necessária. Eu acredito que ou você faz uma só coisa e faz bem ou faz de tudo e o faz de maneira medíocre.

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1. Os melhores tweets da semana #2 | Web Design Blog publicado em 02 de maio de 2010 às 19:10

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