10 de abril de 2010
Silvia Zampar

Análise dos outdoors do Motel Excalibur

Ontem postei aqui no blog algumas campanhas do Motel Excalibur, aqui de Jundiaí, propondo a todos para deixarem suas opiniões a respeito. O intuito era ver as impressões que cada um tem a respeito do tipo de comunicação que vem sendo utilizada, se consegue definir o estilo do negócio e a que PA se destina, enfim.

Análise da estratégia e linha comunicativa:

Na maioria dos comentários as pessoas acharam a linguagem grosseira, mas, claro, muito engraçada. Realmente não há dúvidas que a linha de humor que vem sendo utilizada consegue nos fazer rir.

Trata-se de linguagem grotesca, que é o que venho estudando no meu mestrado, onde pude constatar que a atração que as pessoas têm pelo grotesco não vem de hoje, sendo uma forma de representar a espontaneidade popular, rompendo com o clássico e com os padrões dominantes, ou seja, é uma forma de se expressar contra o que seria correto, no intuito de transgredir e divertir-se.

Aliás, não se trata sequer de algo inovador, trazido na comunicação desse motel especificamente, já que tenho sido bombardeada por e-mails com peças de comunicação de motel com esse tipo de apelo. Vou preparar até uma postagem exclusiva com isso.

Entretanto, a dúvida que tenho é, apesar de se rir disso, de agradar uma grande parcela do público em geral, até que ponto isso traz coisas positivas à marca e ao negócio?

Seguem, primeiramente, algumas informações de briefing a respeito desse motel, para que você possa construir melhor uma imagem a respeito dele:

  • A construção é como se fosse um castelo, estilo medieval e imponente;
  • Está localizado numa estrada afastada, um pouco longe do perímetro urbano;
  • Todas as suítes são em estilo medieval, com decorações diferentes: Merlin, Avalon, Camelot, Lancelot, Rei Arthur, etc., sendo suítes amplas, imponentes;
  • Quando surgiu, tinha um custo relativamente elevado, comparado com o do motel de maior preço local;
  • Inicialmente era focado, principalmente, num público Classe B-A;
  • Seu PA é basicamente de jovens entre 18 e 30 anosç
  • No início a propaganda era “classuda”, apresentando as qualidades e imponência do local;
  • Podemos ver que essa linha de comunicação ainda se mantém nos textos do site.

Pela minha experiência, adquirida por trabalhar cinco anos com um outro motel local, sei que (ou posso supor):

  • Todo motel sofre com a baixa frequência a partir do domingo à tarde até a tarde de 6ª feira, período onde geralmente tentar incentivar o movimento com promoções; e
  • Meu outro cliente recusava-se a oferecer preços muito baixos, pois ele dizia que não adiantava ele também ter um alto giro, desgastando a suíte, mas com um valor insignificante.

Pelas considerações acima podemos fazer algumas análises:

  1. O Excalibur, pela sua localização e preços iniciais altos, deve ter sofrido um pouco mais que outros, com a baixa frequência em alguns períodos;
  2. Promoções são então um mal necessário;
  3. Entretanto, além da promoção, eles apelam para um linguajar grotesco, o que faz com que a imagem que se tenha do local é de algo bem popular, com pouca categoria, o que pode derrubar definitivamente os preços das suítes;
  4. Creio que eles conseguem bom recall (lembrança) das propaganda pelas pessoas, já que o humor e o apelo causam isso, mas não sei até que ponto é bom ser lembrado por algo deselegante, grosseiro

Agora minha pergunta para eles é: só o que importa é o imediato, ou seja, conseguir aderir na mente das pessoas e conseguir movimento, independente de se estar construindo uma imagem ruim? Creio que pode ter sido uma solução que traga um retorno imediato, mas, com certeza, isso desvalorizará o negócio cada vez mais e trazer problemas muito maiores para os administradores no futuro.

Análise dos elementos da composição gráfica:

Agora meu intuito é aproveitar e fazer uma análise técnica dos elementos utilizados na composição das peças. Acho que esse exercício ajuda também os que estão começando. Vamos primeiramente rever a arte atual e a mais antiga, para depois partirmos para a análise:

  1. Fonte: em ambas temos uma péssima escolha de fonte utilizada, pois uma regra básica quando se compõem arte para outdoor é escolher fontes simples (sem muitos detalhes), que não sejam muito light, nem muito bold, que não tenham muito contraste de partes finas e grossas (trave e haste da fonte), que sejam facilmente lidas à distância. Uma dica é colocar a arte, que deve ser feita no tamanho de 48 x 16cm. a uma distância de 5,5m de você para observar, sendo que essa distância simula a visibilidade do outdoor real visto a uma distância de 100m.

    Deve-se ainda evitar fundos que não sejam simples (que dificultam a leitura), escrever tudo com maiúsculo e fontes fantasia. Dito tudo isso, percebemos que as artes não cumprem nenhum dos quesitos descritos, que ajudam na boa legibilidade do outdoor (a do sorvete é pior, dificílima de se ler à distância – o que talvez até seja bom – rs)

  2. Imagens: o “do sorvete”, questiono o fato de utilizar uma foto que tem apelo fálico, numa peça de mídia exterior, que é uma mídia de massa, o que pode ocasionar constrangimentos em algumas pessoas, famílias, situações desagradáveis, enfim, acho que você deve utilizar a comunicação conforme a mídia, portanto se fosse algo direcionado a um público específico (uma revista masculina ou jovem) não haveria problemas, já em mídia exterior acho reprovável e, creio até que, se houver uma denúncia ao CONAR, este mandará retirar as propagandas por serem ofensivas à moral e bons costumes.

    O que tem os clipartes, os leitores que comentaram na postagem anterior demonstraram todo os desprezo que as pessoas têm por comunicação que usa esses desenhos, associando a negócios ruins, mais simplórios, ou seja, agregou uma imagem de “motelzinho” ao empreendimento, o que não é bom. Ilustrações mais bem feitas não trariam essa conotação, entretanto nada disso salvaria a escolha pela comunicação chula.

  3. Quantidade de informação: pesquisas demonstram que em movimento uma pessoa só consegue observar 6 elementos numa peça de mídia exterior, o que inclui foto, imagem, cor de fundo, elementos que se destaquem do próprio outdoor (como uma moldura de cor chamativa). Vemos então:

    - No “do sorvete”: seria impossível conseguir prestar atenção em tantos elementos, lendo o texto (com fonte difícil), ainda ler o texto legal (excessivo incluído), a inclusão do site e de uma assinatura embaixo do logo totalmente desnecessária;

    - No “dos desenhinhos”: impossível compreender tanta coisa, pois temos duas imagens com mensagens distintas a serem compreendidas, texto difícil de ler (com fonte fantasia), informações a respeito de preço, uma assinatura também desnecessária (“então imagine”), a assinatura embaixo do logo com excesso de informações. A outra versão dessa arte (que inclui na outra postagem) utilizava TRÊS desenhos distintos, o que piora mais ainda a situação.

Algumas pessoas nos comentários fizeram menção ao logotipo, mas esse não será foco de análise, já que o que eu pretendia era simplesmente falar das artes de outdoor.
Gostaria de pedir que vocês comentassem abaixo, falando o que acham, a partir da análise técnica que fiz, complementando com algo que vocês tenham notado ou que possa ter deixado dúvidas.

20 "parpite"

1. @reetonin publicado em 10 de abril de 2010 às 16:59

Que coisa bizarra! Jesus…

2. Silvana publicado em 10 de abril de 2010 às 14:13

Agora você pegou a gente. Motéis deste nível aqui em São Paulo costumam ser mais cuidadosos com a propaganda. Sugiro que seja enviado à agência e à direção do motel um clipart com uma mãozinha queimando um filme – o do motel. XD

Será que não seria mais interessante eles explorarem o fato de o motel ser afastado, o que reforça a discrição? Mas sem apelar pra analogias do tipo “atrás da moita”, por favor… A ideia seria atrair clientes mais refinados, e que pagam mais.

3. Rodrigo Pires publicado em 10 de abril de 2010 às 19:13

Agora que você explicou melhor a história, ficou ainda mais engraçado… A foto que você postou lembra muito o buffet monte castelo…

4. Mara publicado em 10 de abril de 2010 às 19:29

O que vc quer dizer com evitar fundos que não sejam simples?

5. Mara publicado em 10 de abril de 2010 às 19:44

O seu blog é excelente! Conheci recentemente através do twitter! Parabéns!

6. tudibao publicado em 10 de abril de 2010 às 22:02

(248) rs – se você achou…

7. tudibao publicado em 10 de abril de 2010 às 22:04

(249) É, o "interiorrr", além dos "r" tem algumas coisinhas diferentes na propaganda – rs. Costumo dizer que coleciono coisas ruins folheando as revistas locais. Concordo com você, para um motel com tal investimento inicial no bom gosto, nada melhor que manter na propaganda.

8. tudibao publicado em 10 de abril de 2010 às 22:07

(250) Então, tanto investimento inicial para acabar com essa linha comunicativa, não?

9. tudibao publicado em 10 de abril de 2010 às 22:12

(252) Escrever textos sobre fotos, por exemplo, mesmo que se desfocando o trecho da foto, temos um fundo com nuances, detalhes, o que faz com que nosso olho fique tentando identificar o fundo, e às vezes prejudicando a leitura. O ideal é trabalhar com fundos sem efeitos, cores lisas, nada de ficar procurando texturas incrementadas, o quanto mais lisa a cor de fundo e sem detalhes, mais fácil a leitura.

10. tudibao publicado em 10 de abril de 2010 às 22:13

Opa, obrigadinha pelo gentil comentário. E pra ganhar mais nºs para concorrer no sorteio, você pode deixar comentários em várias postagens, que receberá um nº por comentário em postagem diferente.

11. pagethiago publicado em 10 de abril de 2010 às 22:25

meu EUS nao da para acreditar…

12. tudibao publicado em 11 de abril de 2010 às 14:43

(277) Não dá pra acreditar de tão bão ou de tão ruim? – hahahahah

13. tudibao publicado em 11 de abril de 2010 às 12:17

(253) Pois é… Cada uma que a gente vê, né? – rs – Segue seu nº para participar do sorteio.

14. tudibao publicado em 13 de abril de 2010 às 16:57

(394) Então, eu tbm fico mais chocada ainda, exatamente por lembrar que este surgiu como um motel classudo na cidade. A concorrência deve adorar esses "tropeços".

15. Éto publicado em 26 de maio de 2010 às 10:57

Estudo Publicidade na faculdade Anhanguera de Jundiai, e discordo em certas partes com a sua critica. Não acho, que uma foi usada uma imagem apelativa, mas sim sugestiva. O PA não são crianças e familias " comuns". A propaganda atingiu seu objetivo e foi de certa forma polemica sim, mas não pra esta ira toda. Usaram a boa e velha frase: A maldade está nos olhos de quem vê. Parabens pelo blog, para nós estudantes é uma excelente fonte de conhecimento alternativo.

16. tudibao publicado em 26 de maio de 2010 às 22:10

Éto, sua opinião é muito bem vinda, pois aqui é um espaço pra isso: conversarmos e crescermos (e não pra todo mundo bater palma concordando – rs).
Apareça sempre.
Valeu!

17. Rodrigo Silva publicado em 27 de maio de 2010 às 2:55

Olá, Silvia
Fui seu aluno em Comunicação Aplicada no curso de Design Gráfico da UNIP Jundiaí no primeiro semestre de 2009. Depois de ler ali ao lado a politica editorial do blog, venho avisar que estou utlizando a primeira foto deste post em um trabalho para ética e legislação. Não sei se meu caso se enquadra na politica editorial, mas em todo caso, tá comunicado!

Abraços

18. tudibao publicado em 27 de maio de 2010 às 15:07

Ok, Rodrigo.
Agradeço muito a gentileza de ter avisado e pode utilizar a vontade.
A política editorial é mais pra evitar abusos, pois tem gente que usa tudo (em seus blogs ou trabalhos) e nem dá o crédito ou referencia de onde tirou (ai não está certo, não é mesmo?)
Sucesso!

19. Arnaldo publicado em 03 de setembro de 2010 às 0:47

Parabéns pelo post! Sou mestrando em "comunicação midiática" e leciono a disciplina de "Discurso Persuasivo" na Universidade Nove de Julho para o curso de Comunicação Social com habilitiação em Publicidade e Propaganda. Em relação ao post, creio que um Motel, como o Excalibur, onde de um lado temos o Estância River, que oferece requinte e até certo conforto e, de outro o Maison De Ville que oferece aposentos mais populares, o Excalibur, com certeza, sai na frente por possuir um mix de visual e história de extremo bom gosto que povoa o imaginário de seus clientes. Diria eu que o Excalibur, basicamente, nem precisaria de comunicação, senão somente uma simples divulgação do endereço que poderia ser divulgado em simples flyers. O fato da linguagem adotada na comunicação feita em outdoors não sugere uma queda de nível do Motel e sim um plus como apelo de "fixação da marca", pois a propaganda boca a boca, por si só, já é suficiente para consagrar o Excalibur como sendo um dos melhores da região. Quem, na região, nunca ouvira falar dele? Ouve-se falar muito bem! O fato é que até mesmo o assunto, no qual diz respeito a ele, ao ser tratado aqui neste post ajuda e muito nisso e o faz ser diferente nisso também. Acredito que foi esse o intuito dos idealizadores dessa comunicação.

20. Silvia Zampar publicado em 03 de setembro de 2010 às 11:44

Agradeço sua participação aqui no blog com sua opinião, mas creio que você se fia muito no seu "achômetro" particular (percebe-se, por suas palavras, que vc é da região, conhecendo bem o motel, os concorrentes diretos).
Mas o que eu analiso é a comunicação no todo, como uma forma de se transmitir mensagens. Tudo que se fala ou se apresenta traz significados e significações (semiótica) e isso é incorporado pelo leitor de qualquer mensagem. Ignorar a Semiótica envolvida em uma mensagem é partir do princípio que bastariam somente estar na mídia para ser lembrado, não importando se isso foi uma publicidade positiva ou negativa = infelizmente não é assim que funciona, já que uma mensagem que é compreendida como negativa, muitas vezes é difícil e custa caro pra se apagar. Sei de pessoas que não vão iam ao Excalibur na época dessas propaganda, preferindo o Veredas, mais perto da cidade e que sempre trabalhou com uma comunicação sofisticada.
"Fale bem ou fale mal, mas fale de mim" = não é uma boa estratégia para um Motel.
Ah propósito, conheço os envolvidos na criação dessa peça (os "idealizadores" que você cita) e, com certeza, a lógica passa muito longe de qualquer teoria séria para o sucesso da comunicação.

Parpite você também