25 de março de 2010
Joao Pitanga

Redator e ponto final

Vou iniciar um novo ciclo de posts no TuDiBão, falando de Redação. Ufa, falar dos outros departamentos cansa… Nada contra, mas ficar na sala da criação é bem mais divertido.

Vou tentar buscar peças legais, referências, dicas, tudo da área. Mas quero começar de outro jeito, expondo a minha visão sobre o Redator.

Qual é o perfil desse profissional? Qual o caminho para se tornar um? O que fazer e não fazer? Acredito que o melhor redator é aquele que não segue regras e, nesse caso, até as gramaticais podem ser quebradas.


O profissional de Redação precisa ser antenado (não que os outros profissionais que trabalham em agência não precisam). Mas para o redator, ficar antenado 24h por dia é essencial, pois ele pode resolver um briefing a partir de um livro lido, um filme assistido, uma música brega ou um rock pesado.

Referência, essa palavrinha é mágica e uma hora vai te ajudar. Folhear anuários, ser machão e dar uma olhada nas fofocas da Contigo. Isso é quebrar regras! Pense que tudo o que é informação pode se tornar numa oportunidade de anúncio, campanha, mote, porque uma hora vai…

O Redator tem que conhecer todo tipo de público, ser 8 e 80. Na agência você não vai escolher briefing e muito menos o perfil de consumidor que mais gosta de trabalhar. Quem quer escrever tem que estar pronto para falar com criança e com idosos, Petistas e PSDbistas. Precisa ter brincado de carrinho e colocado seus bonecos para brigarem na infância. Ter assistido aulas de química e física, mesmo sabendo que isso não ia dar em nada. Mas sei lá, né? Vai que a agência conquista a conta de uma escola. Nunca se sabe.

O Redator tem que sentar no sofá no domingo e assistir aos programas de calouros, saber quem são os participantes do BBB e ter o seu palpite de quem é o assassino da novela das oito. Mesmo que todo mundo diga que isso é um porre, coloque na sua cabeça que isso pode virar um anúncio. Preconceito não combina com criatividade e não te leva a lugar nenhum.

Quem é da área de Redação precisa convencer! E pra isso acontecer, gostar do que faz. Escrever até dizer chega. Encher páginas do Word sem se dar conta, até dar calos nos dedos.

Aprenda: o primeiro título nunca é o melhor, faz mais vinte e depois volte no topo da página para comparar.

O redator só precisa disso, não é fácil, mas também não é difícil. Aí é só sentar na cadeira de uma agência e fazer o melhor, levando o leitor até aqui, na última linha do texto. Afinal, não foi pra isso que você escolheu ser redator?

Até mais!

9 "parpite"

1. TuDiBão publicado em 25 de março de 2010 às 12:24

João, vamos deixar claro: vale quebrar regras, incluindo as gramaticais, só se isso realmente for de maneira pensada, tiver um porque e se justificar na peça criada (como no exemplo que você publicou acima). Agora erro de português, que é porque o "cara" não sabe usar crase, acentuação, enfim… ERRO é ERRO.

2. Karina publicado em 25 de março de 2010 às 12:50

João
Parabéns pelo artigo.
Gostei desse exemplo que vc colocou da VW, e concordo que querbrar regras se for de maneira estratégica é legal.
Já fiz umas vezes, não foi aprovado, ao contrário foi bem criticado, pq tudo q é fora do comum parece q incomoda as pessoas. Uma pena essa mesmice.
Acho q tudo o q for fora do comum com lógica e criatividade vale a pena tentar. O bom de redação publicitária é isso mesmo. Criar coisas diferentes.

Dicas de ouro.
Abraços

3. joaopitanga publicado em 25 de março de 2010 às 13:03

Sim! Quebrar as regras, erro de ortografia jamais.

Karina, infelizmente a gente tem que conviver com essas manias de ter que fazer tudo certinho, modelo, padrão. Basta sugerir algo inteligente pro cliente achar que somos burros. Mas não custa tentar outra vez, deixa a ideia guardadinha na gaveta…

Valeeeeeeeeeu!

4. uberVU - social comments publicado em 25 de março de 2010 às 10:24

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5. Diego_Phellipe publicado em 25 de março de 2010 às 14:52

Ótimo post, percebi que tenho que mudar algumas coisas !

6. @Fritzenco publicado em 25 de março de 2010 às 16:22

Eu também acho que a liberdade de expressão deve quebrar até as regras gramaticais. Gosto e pratico essa transgressão. Falar diretamente com seu interlocutor é tirar do texto tudo o que diminui a velocidade da leitura e da compreensão. Usamos "pra" em vez de "para" pra fazer com que a leitura deslize até a última linha e pra que o seu leitor não fique com a sensação de que está passando por lombadas ao longo do texto. Há erros e Há estilo. Eu escrevo com estilo procurando evitar os "erros", mas sem os deixar à margem da escrita.

7. tudibao publicado em 25 de março de 2010 às 18:54

Então, mas deixando claro que liberdade de expressão e criatividade devem ser utilizados como recurso estético.
Já vi muito texto grafado errado, mas era claramente por ignorância (ai é imperdoável!)
Valeu por comentar!!!

8. Tweets that mention Redator e ponto final -- Topsy.com publicado em 25 de março de 2010 às 17:44

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9. Brunno Quaresma publicado em 20 de dezembro de 2011 às 22:08

Parabéns! Ótimo texto.

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