Qual a melhor forma de remuneração? “Fee mensal” ou “por job”?
Uma decisão que precisa ser tomada por todas as agências, independentemente de seu tamanho, é a melhor maneira de estabelecer a remuneração junto àqueles clientes mais constantes, com grande volume de trabalho.
Em qualquer época da vida de uma agência (ou de qualquer empresa) é preciso equacionar ganhos e gastos. No caso da prestação de serviços que envolve criação, num mercado muito acirrado e diferenciado como o nosso, viver alguns “altos e baixos” é muito comum. Por isso, um contrato com o cliente, mesmo que por tempo determinado, pode e deve ser considerado.
Se você já se pegou sonhando com um valor garantido para cobrir as despesas fixas, considere estas possibilidades
para remuneração:
1. Fee Mensal:
Trata-se de uma remuneração mensal fixa e pode ser calculada a partir de:
- uma análise do volume de trabalho e dos valores praticados no atendimento a um determinado cliente por um período determinado, ou
- levantamento de horas de trabalho e materiais a serem criados para uma campanha por um determinado período estabelecido previamente com o cliente; ou ainda
- um conjunto de trabalhos pré-definido.
No cálculo do fee mensal é melhor não englobar serviços gráficos, aquisição de produtos, pagamento de terceiros, que são etapas difíceis de prever com antecedência.
É importante fazer um contrato por escrito, explicitando o acordo entre as partes e com cláusula de revisão, para que seja justo para ambas as empresas.
2. Fee mensal + comissionamento:
Nesta forma de remuneração, além do fee mensal fixo, o cliente também remunera a agência por meio de comissão sobre todo o serviço de terceiros, como serviços gráficos, compra de brindes, aluguel de espaços, etc. Dessa maneira, a agência compõe os ganhos com uma parte fixa e outra variável.
3. Fee mensal básico + valor por job:
Nesta forma de remuneração toda a parte referente a atendimento, planejamento e estratégia fica coberta. O que envolver criação a remuneração será calculada por job (a cada trabalho). Se for conveniente para as duas partes, é possível estabelecer uma tabela de preços por tipo de trabalho e ir completando a lista a cada novo tipo.

Seja qual for a modalidade de remuneração a ser negociada com o cliente, leve sempre em conta que todo trabalho criativo envolve também horas de planejamento e acompanhamento que devem ser mensuradas e cobradas, além dos custos administrativos.
Se não for o caso de apresentar sua tabela de preços para o cliente, mantenha uma para sua consulta, com parâmetros bem definidos. Assim seus orçamentos terão consistência e você poderá avaliar, caso a caso, possíveis descontos por volume, ou taxas de urgência, por exemplo.

20 "parpite"
1.
Riccardo Benetti publicado em 08 de março de 2010 às 15:17
E quando o cliente te diz: pelo que te pago hoje eu contrato 2 que fazem o que vc faz, qual postura devemos ter?
2.
tudibao publicado em 08 de março de 2010 às 17:00
Bom, claro que queremos ouvir a opinião da Denise, mas vou dar a minha: você tem que ser consciente de que o preço que você está cobrando não é um valor ao acaso, foi realmente calculado pensando nas horas que aquele serviço demanda, em custos reais, enfim, tem-se que ter bom senso.
Se você sabe que seu preço está coerente, não mexa, afinal de contas, ninguém deve perder dinheiro.
Agora se calculou com um pouco de sobra, negocie ao que você pode, sempre ficando no limite da coerência, não prostituindo seu serviço e também não acostumando o cliente a toda vez utilizar-se desses subterfúgios ridículos de negociar até diminuir seu preço a nada.
Bom senso, esse é o caminho. Às vezes decidir perder um cliente, por não baixar o preço, tbm é uma questão de bom senso.
3.
João Paulo Pitanga publicado em 09 de março de 2010 às 12:13
Muito bom o post. Essa é uma das questões que martelam na minha cabeça. Nunca fui dono de agência e nunca pretendo ser, mas devido à instabilidade que esse meio tem, creio que o fee é a melhor maneira para não correr riscos financeiros. Apesar de achar bem mais justo até para o mercado o modelo de pagar pelo job. Tá aí um post pra gente discutir muito.
4.
tudibao publicado em 09 de março de 2010 às 12:57
Então, eu tbm acho que isso dá uma discussão sem fim, vejamos:
- O fee é interessante quando conseguimos fazer um conta correta da média do valor correspondente ao serviço que será executado em todos os meses. Sabemos que em alguns meses (véspera das datas sazonais) vamos trabalhar mais, não fazemos nada = portanto é vantajoso ter um valor fixo para cobrir os gastos fixos que uma empresa tem;
- Por "job": pelo mesmo motivo, o valor por trabalho é interessante quando estamos com muito volume, temos que pagar funcionários e/ou gastos extras, mas em compensação, nos meses que não tem quase trabalho (como Janeiro, Julho) o que fazemos para pagar as contas?
Tem-se sempre que pensar bem.
5.
João Paulo Pitanga publicado em 09 de março de 2010 às 13:37
Isso aí…essa estabilidade que o fee trás que é tentador. Acho que quem abre uma empresa pensa mesmo é nessa segurança, e na época sazonal quem se ferra são os funcionários, em relação a eles, paciência…rs
6.
tudibao publicado em 09 de março de 2010 às 13:54
Então, o que vc diz que os funcionários "se ferram", mas é melhor ter que ralar muito, porque tem "trampo", do que saber que se a coisa ficar "mixa" de serviço, vai todo mundo pra rua, né?
7.
Denise Faria publicado em 09 de março de 2010 às 16:58
Oi, Ricardo, essa colocação do cliente de que pelo preço contrata dois é mais comum do que a gente gostaria, e não pense que é só cliente novo a usar esse tipo de argumento para baixar o orçamento! Quando isso acontece, geralmente digo que vou rever o valor, deixando claro que para baixar o preço vamos apresentar menos opções de layout, ou vamos precisar de mais prazo, enfim, coisas que realmente justifiquem uma diminuição no orçamento. Mas a minha experiência tem sido: o cliente passa o trabalho para outra agência por metade do valor e fica "menos da metade" satisfeito, seja com o layout, seja com a agilidade e pontualidade… e acaba chamando a gente de volta.
8.
Denise Faria publicado em 09 de março de 2010 às 17:06
Queria comentar sobre essa questão dos funcionários que sofrem com as altas e baixas do mercado. Sei que não é todo empresário que sente como eu, mas uma das coisas mais frustrantes dessa sazonalidade é a dificuldade em manter a equipe. O volume de encargos é enorme, difícil de equacionar se o empresário não for muito organizado e precavido, poupando durante todos os meses. É 13º, assistência médica, participação nos lucros… uma loucura. Por isso, na nossa área, tem sido cada vez mais comum o uso do free lancer, que acaba virando muitas vezes um "free fixo", pois vai emendando um trabalho no outro dentro da agência. Por isso, pensem em se profissionalizar, ter registro de autônomo, dar nota, e não ficar totalmente à mercê do mercado.
9.
tudibao publicado em 09 de março de 2010 às 17:16
Eu costumo já apresentar meus valores falando que estou passando "o mínimo", porque odeio essa história de pechinchar (não gosto nem de comprar assim).
E acho que isso acostuma mal o cliente. Então eu passo o preço que acho justo e coerente pelo trabalho que vamos executar.
E, como a Denise mesma terminou no comentário dela, já fui muitas vezes chamada de volta, depois do cliente ter uma experiência muito ruim com serviço barato feito em outro canto.
Profissionalismo também tem que ser remunerado – rs
10.
tudibao publicado em 09 de março de 2010 às 17:19
Então, mas esse "free fixo", se colocar tua empresa na justiça, ele ganha o processo.
Se mostrar vínculo, comprometimento com prazos ou horários… dançou!
E hoje está muito comum essa história de contratar "uma empresa", que na verdade é um profissional que teve que abrir uma empresa para dar nota ao "dito" empregador que não contratou com carteira assinada.
É uma "gambiarra" que está sendo usada, por brecha na lei, mas nesse caso também, provando-se o vínculo empregatício, a empresa terá que pagar todos os encargos.
Infelizmente é difícil agir sempre certinho e, ao fazermos, ficamos sujeitos a oscilação de mercado, competição desleal.
Muita organização é necessária, a Denise está totalmente certa.
11.
tudibao publicado em 28 de abril de 2010 às 17:26
(727) Eu defendo meu preço, não baixo do limite que acho justo (para mim e não para o cliente) e acho que às vezes vale mais a pena ir embora do que se prostituir. Amanhã ou depois o cliente que te dispensou (pelo preço) chama de novo, pq "quebrou a cara" com outros…
12.
Jaqueline publicado em 20 de maio de 2010 às 22:02
olá, gostaria de saber como consigo um modelo de contrato de fee mensal (fixo). Pois preciso elaborar um, e gostaria de ter um modelo para tomar por base. Obrigada!
13.
tudibao publicado em 21 de maio de 2010 às 11:37
Eu não tenho isso. Procure na Internet, se algum site tem esse tipo de material.
Importante salientar que contrato é algo bem importante que deveria ter a revisão de um advogado, sendo que para ter valor legal é necessário que todas as partes assinem (com firma reconhecida) e que se faça alguma espécie de registro em cartório ou algo assim.
14.
Bruno Ganem publicado em 14 de abril de 2011 às 9:28
Me chamo Bruno estou no mercado há alguns anos, e estou pretendendo montar meu próprio escritório, mas a dúvida vem com relação como começar. A parte de contratos, execução etc.. pra mim esta resolvida mas quando entra na parte de comissão, descontos já me enrolo todo.
Sei que não existe uma receita de como começar mas se alguem puder me orientar para ir no caminho certo agradeço.
15.
Silvia Zampar publicado em 14 de abril de 2011 às 9:34
Vou ver se consigo fazer uma postagem a respeito (apesar de estar difícil arrumar tempo pra isso – rs), mas eu precisaria saber se você é formado em quê, sua empresa foi aberta como o que (aliás, existe uma empresa?)
Pois comissões, o que se tem ou não direito, depende disso, de como a empresa foi aberta e o serviço que executa.
16.
Luciana publicado em 23 de agosto de 2011 às 0:35
Olá, sou relações publicas e gostaria de desenvolver uns projetos para a area de moda, mas td que acho é na area de ass. de imprensa.
Gostaria saber, nesse caso (inicio), como faço p calcular o fee?
Estou confusa.
Obg
17.
Silvia Zampar publicado em 31 de agosto de 2011 às 10:29
Luciana, como somos um blog voltado para designers e publicitários, não temos ideia de como funciona a área de moda.
18.
Paulo F C publicado em 17 de outubro de 2011 às 11:04
Bom dia! Gostaria de saber como funciona a cobrança de um job, no que tange as diversas refações de layouts, antes de chegar a um que agrade ao cliente. Já houve caso de acertarmos no primeiro layout, mas tbém já houve caso de um cliente, muito mais exigente, chato e sem corência (vcs sabem que isso existe!) , aprovar o JOB depois de uns 20 ou 30 layouts. Isso é correto, ou existe uma forma de cobrar por um número máximo de layouts. Minha preocupação é que o cliente pode afirmar que ele só não aprovou porque ainda não fizemos o que ele queria. E aí?
19.
Silvia Zampar publicado em 17 de outubro de 2011 às 11:35
Paulo, sei sim que tem clientes "chaticos", mas tudo que é combinado antes não é caro.
Portanto estabeleça previamente como ocorrerá o serviço e faça um contrato do que foi estabelecido. O normal é que a partir do briefing, que deve ser muito bem passado pelo cliente, vocês farão um layout, a partir dai serão aceitas alterações, mas não a solicitação de um novo layout, a menos que a arte esteja em desacordo com o briefing passado. Creio que se vocês estabelecerem que farão até 5 layouts (por exemplo) o cliente irá exigir esses 5, só para vê-los trabalhando e ter a impressão que ele está levando vantagem.
Confesso que eu nunca fiz mais do que um segundo layout, mesmo assim esse segundo foi necessário por erro no briefing (ou o cliente não passou exatamente o que queria, ou quem fez o atendimento – da minha agência – não soube perguntar tudo).
Ah, e vale o conselho: tem cliente que é melhor perder do que ficar com ele. Esses que nunca estão contentes, que exigem vários layouts, enfim, esses nunca irão reconhecer o trabalho de vocês e, mais, acabam dando prejuízo, ao invés de lucro.
20.
Silvia Zampar publicado em 17 de outubro de 2011 às 11:38
Ah, vi sua pergunta do final, deixe-me só complementar: se o cliente alega que não aprova porque vocês ainda não fizeram o que ele queria, existe duas coisas:
- diga-lhe que isso não é um jogo de adivinhação, que ele tem que ser específico a respeito do que deseja;
- entretanto se ele está usando vocês para "construir" uma arte exatamente como ele imaginou, bem, explique para o cliente que vocês são profissionais, que estudaram para lhe oferecer uma arte que dê resultado e não apenas colocar no papel algo que ele pensou. Explique que ele, com certeza, conhece bem o negócio dele, assim como vocês conhecem a arte da propaganda/design.