18 de fevereiro de 2010

Silvia Zampar

Porque estudar isso? (e a importância de História da Arte)

A pergunta acima é muito comum dentre os alunos dos mais diversos cursos, mas eu vivenciei tanto quando fiz meu curso de PMKT, quanto nos cursos de Comunicação Digital, nos quais leciono nas UNIPs.

De vez em quando ouvimos uns e outros murmurando: “Porque tem que ter essa matéria?”, referindo-se à Teorias da Comunicação, História da Arte, Sociologia, dentre outras…

Lembro-me de ouvir alguns professores meus justificando a respeito, muitas vezes sem nenhum sucesso… E as reclamações continuavam (e continuam)…

Bem, vamos aos meus argumentos do porque SE DEVE estudar tudo isso:

  1. É indispensável se saber as teorias de base a respeito de tudo que envolve o processo criativo (cores, formas, composição, psicologia do consumidor, princípios de marketing, etc) para que não se desenvolva apenas uma “arte bonita”, mas algo que tenha conceito e aderência na mente do consumidor; e
  2. Você tem que saber mais sobre TUDO (história, política, cultura, etc), porque você tem que ter “bagagem” para poder criar e falar com todos os públicos, sobre qualquer tipo de cliente e/ou produto.

E pra mostrar a importância de se estudar História da Arte, ou mesmo conhecer mais o trabalho de outros artistas (antigos ou contemporâneos), segue abaixo campanhas que utilizam esse conhecimento de forma prática, tanto em peças gráficas, ilustrações e até um animação consagradas (como Os Simpsons) e um vídeo clipe pop:

- Anúncios para Polo Blue Motion, criação DDB de Berlim, Alemanha, que utilizam como inspiração as obras de René Magritte, Salvador Dali e Hieronymus Bosch (via CTRL+PELS):

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.- Anúncios para serviço autorizado VW, criação DDB de Nova Zelândia, que utilizam como inspiração as obras de M. C. Escher (via Ads of the World):

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- Anúncio para Casino di Venezia, criação da Admcom, que também utiliza como inspiração as obras de M. C. Escher (via Ads of the World):

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- Anúncio para Golf GTI, criação da Grabarz & Partner de Hamburgo, Alemanha, que utiliza como inspiração as ilustrações de Roy Lichtenstein (via Ads of the World):

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- Posteres em Abrigos de Ônibus para DeSerres, criação da Nolin BBDO de Montreal, Canada, que utilizam como inspiração as obras de Roy Lichtenstein, Keith Haring e Pierre Mondrain, respectivamente (via Bloguerrilla):

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- Anúncios para Honda Acord, criação da RPA, USA, que também utilizam como inspiração as obras de Pierre Mondrain (via Ads of the World):

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- Anúncios para o HSBC,criação da criação da JWT de São Paulo, que utilizam como inspiração as obras de M. C. Escher (via Ads of the World):

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- Anúncios para o Inhotim,criação da Agência Filadélfia, de Belo Horizonte, que também utilizam como inspiração as obras de M. C. Escher (via Ads of the World):

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- Anúncios para Lego,criação da Agência Jung von Matt/Alster Gmbh de Hamburgo, Alemanha, que utilizam como inspiração as famosas fotos “Lunch on a Skyscrapede” de Charles C. Ebbets e a foto do “Rebelde Desconhecido” de Jeff Widener (via Image & Visions e Ads of The World):

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- Ilustrações do Homer Simpson, que apesar de não fazerem parte de nenhuma campanha publicitária, também exigiram conhecimento em História da Arte. Respectivamente utilizam como inspiração: O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, O Grito de Edvard Munch e The Son of Man de René Magritte (via CTRL+PELS).

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- Capa/Cartaz para o filme Abismo do Medo, um remake da obra Voluptate Mors de Salvador Dali:

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- Capa/Cartaz para o filme Jogos Mortais 3, que alguns viram inspiração no quadro A Dança de Matisse (dica do Gian Garcia)::


- Comercial da Coca-cola com os Simpsons, que aos 10″, quando está sendo carregado um carro com uma mudança, vemos uma brincadeira com algumas obras de arte: A Vênus de Milo supostamente de Alexandros de Antióquia, Pintura de Marilyn Monroe no estilo Pop Art de Andy Warhol e A Criação do Homem – parte da obra da Capela Sistina de Michelangelo (via Com Limão):

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- Vídeo clipe das Pussycat Dolls, da música Hush hush, que a partir de 1′ do vídeo, utiliza como inspiração para a cenografia as obras de M. C. Escher (dica do Gian Garcia):

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- Vídeo clipe da banda Hold your Horses, da música 70 million, onde em cada cena podemos observar a releitura de grandes obras de vários mestres, dentre eles podemos citar Michelangelo, Picasso, Mondrian, Magritte, Edvard Munch, Frida Kahlo, Van Gogh, Andy Warhol, dentre outros (dica do Diego Phellipe):

 

Perceberam como não daria para criar nada disso se não se soubesse nada de História da Arte? Se não queremos fazer apenas criações “bonitinhas”, temos que ir além e nos aprofundar nos estudos das disciplinas teóricas e de base, sempre!

Pesquise mais sobre todos esses artistas citados e aproveite para aumentar seu conhecimento.

15 "parpite"

1. joaopitanga publicado em 18 de fevereiro de 2010 às 15:07

Ta aí uma coisa que a gente só aprende depois que cai no mercado. E como eu zoei da velha professora que me dava aula de História da Arte. Espero que o post faça os alunos refletirem e sugarem tudo o que puder dessas aulas.

2. MaraStn publicado em 18 de fevereiro de 2010 às 16:31

Amei a matéria. Não poderia ter tido justificativa melhor. Desde que estudava publicidade, eu sempre tive consciência da importância de disciplinas como história da arte entre outras no processo de criação e percebia também o desprezo que a grande maioria dos alunos tinham com essas matérias. Um erro com certeza.
É muito bom bater o olho em um anúncio e reconhecer a referência, saber que aquilo não é mais "primeiridade" para você mas sim algo que você interpreta e traduz.Acho que é uma maneira de ter domínio sobre a criação e a maneira como o mundo vai perceber a criação.
Agora as vezes acontece dessa ignorância/desprezo vir de professores também.
Eu tive problemas com um professor no meu 4º semestre justamente porque meu grupo utilizou uma foto do Roy Lichtenstein no layout ( a mesma foto que está no abrigo do onibus/moça loira) e ele nos vetou alegando que não podíamos usar a imagem porque não era criação nossa e ainda fez pouco da disciplina de Ética e Legislação porque segundo ele o que a faculdade nos ensinou não foi suficiente para que soubéssemos dar crédito aos autores/criadores. E por eu insistir em usar a imagem do Roy Lichtenstein ele me chamou do lado de fora da sala e me perguntou de que planeta eu era.
Ainda bem que existem professores esclarecidos que fazem matérias esclarecedoras sobre o assunto. ;)

3. tudibao publicado em 18 de fevereiro de 2010 às 17:03

Mara, infelizmente "gente" ignorante tem em toda parte.
O bom é saber que o mercado recebe e abraça somente os melhores profissionais, aqueles que têm a mente aberta e que estão sempre atualizados nas técnicas e teorias.
Obrigada pelo gentil comentário.

4. tudibao publicado em 18 de fevereiro de 2010 às 16:05

João, eu tbm não dei o devido valor.
Hj quando vejo esse tipo de criação (que apresentei na postagem), percebo que tenho que correr atrás.

5. vagnerilustracao publicado em 09 de março de 2010 às 20:40

Olá.
Adorei o artigo, muito bom mesmo.
Ainda não faço parte do mundo da publicidade, ao menos por enquanto, ano que vem pretendo começar a faculdade. E realmente é muito bom saber desde já a importância da história da arte e já ir me interando.
Seu Blog realmente é um dos melhores que acesso. Já esta no meu Google Reader, assim não perderei nada, porém até eu conferir os posts anteriores vai demorar um pouco, são tão bons e o legal é ler e depois ir pesquisar mais um pouco sobre o assunto.
Parabéns pelo Blog. =D

6. tudibao publicado em 10 de março de 2010 às 10:32

Vagner, obrigada pelo comentário tão gentil.
E, de fato, o que faz o bom profissional é, primeiramente, seu interesse.
Parece que você já está bem encaminhado…

7. Joel Gomes da Silva publicado em 15 de julho de 2011 às 13:45

gostaria de ter informações de onde encotrar papelpara jornal tamanho(ba 35cmx25cm)de já obrigado

8. Silvia Zampar publicado em 18 de julho de 2011 às 10:21

Que eu saiba não se encontra para vender pequenas quantidades de papel jornal. Esse tipo de papel é comercializado em grandes bobinas, para gráficas que trabalham com máquinas de impressão offset rotativas. Aliás, nem sei se as impressoras digitais (que mantemos em nossos escritórios) imprimem nesse tipo de papel.

9. Rodrigo publicado em 11 de agosto de 2011 às 9:55

Legal seu blog ! Tenho uma dúvida: no artigo "como é comercializado o anúncio" você enfatiza: primeiro a largura, depois a altura. Já no artigo acima, "jornais – papéis e formatos", as dimensões dos formatos de jornais standards, tabloides e berlinenses estão invertidas: altura x largura. Por que ? Obrigado.

10. Silvia Zampar publicado em 15 de agosto de 2011 às 11:13

Então preciso revisar esse post, post, pois espaço em jornal é comercializado por coluna/centímetro, sempre devemos falar a base, depois a altura, com 5 x 40 col/cm, ou seja, um anúncio de 5 colunas por 40 centímetros de altura.
Obrigada

11. Bianca publicado em 31 de janeiro de 2012 às 11:57

Olá Silvia, é um prazer conhecer o site e poder desfrutar de todas informaçoes aqui postadas.
Bem sou professora de Arte e procurava algo bem informativo para os meus alunos que não valorizam a disciplina como deveriam e olhando esse artigo fiquei impressionada como encaixa direitinho na aula para abrir um pouco os horizontes desses alunos, eu gostaria de solicitar a permissão de usar algumas imagens e informações contidas nele.
Aguardo resposta e obrigada.

12. Silvia Zampar publicado em 31 de janeiro de 2012 às 16:03

Bianca, quando fiz esse post foi nisso mesmo que pensei: em dar uma "forcinha" para professoras da área (e olha que não o sou), pois eu canso de ouvir reclamações de alunos (e pouca visão).
Fique a vontade. Se seus alunos forem da área de Design e Propaganda, indique-lhes meu blog.

13. cleide publicado em 23 de abril de 2013 às 13:30

meu nome e cleide professora de arte e historia,adorei a materia vai me ajudar no curso de mestrado. beijos

14. Paulo Moluap publicado em 24 de julho de 2013 às 9:06

Excelente a defesa da necessidade do estudo da História da Arte, estou professor de comunicação Visual e sou artista plástico. Aprendi na prática, em sala de aula, que a melhor forma para que o aluno valorize o aprendizado é o ensino contextualizado. Infelizmente a maioria dos professores dessas disciplinas ensina a teoria pela teoria sem estimulo a prática contextualizada com o tempo hodierno.

15. Silvia Zampar publicado em 24 de julho de 2013 às 17:47

Infelizmente muitos professores "pegam" qualquer aula, mesmo sem aderência ao conteúdo e aplicação. Triste…

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