26 de fevereiro de 2010
Mario Mancuso

Como é feita uma ilustração para anúncio (Case Peter Food)

Olá, pessoal.

Hoje vou trazer um passo a passo, mostrando o desenvolvimento de uma peça publicitária que fiz para empresa de suplementos alimentares Peter Food, veiculada em revistas de esportes e musculação durante o mês de setembro Não se trata de um tutorial de software, mas de explicar o processo criativo de uma ilustração voltada para publicidade.

Primeiramente, quando a empresa pensa em publicar um anúncio, ela imagina uma estratégia: promover determinado produto, conceito, a marca, etc. Estar ciente disso é essencial ao ilustrador para que ele saiba quais elementos priorizar. Nota: Muitas vezes, quando há uma agência de publicidade, o pessoal da criação cuidará disto, o que não foi o caso aqui, em que tratei direto com a empresa.

No caso desta ilustração, queríamos aludir ao atletismo, mostrar pessoas praticando corrida. Fiz quatro roughs (pronuncia-se ráfs = rascunhos) diferentes, com pessoas correndo em diferentes locais e situações. Abaixo a proposta escolhida:

Rough escolhido para o anúncioReparem que o rough é bem simples, apenas para transmitir a ideia básica. É perda de tempo (e dinheiro) mostrar um desenho muito caprichado, com cara de layout ou até arte final, sem que haja necessidade, o importante é passar a mensagem, que o cliente entenda o que será a arte. Procuro, também, limitar o numero de propostas em 4 já no orçamento, pois o rough tem valor. Para isso, é fundamental ter um briefing preciso. Se o cliente não fornecer, pergunte, mas não saia fazendo mil artes desnecessárias que não serão pagas nem usadas sem saber o que deve ser feito.

Depois de escolhida a proposta que melhor se enquadrava na ideia e discutidas algumas observações, foi elaborado um layout mais caprichado (agora sim) e enviado junto com referências de cenário e arte (abaixo). Nesta etapa, já tenho mais claro em minha mente qual será direção a tomar e qual a técnica que usarei.

Aqui, acredito, entrou muito da minha concepção artística, pois queria criar um clima, uma história por trás da ilustração. Minha inspiração para esta arte foi o trabalho do famoso ilustrador norte-americano Norman Rockwell. Seu trabalho se caracteriza por imagens extremamente ricas que contavam toda uma história, representando uma parte do cotidiano dos EUA nos anos 40 – 50. Ele fazia pinturas em aquarela e óleo, abusando dos detalhes e texturas.

Norman Rockwell - School Fight

Norman Rockwell - School Fight

Assim, juntando os elementos estava criada a história que o anúncio contaria: Um casal praticando corrida em cenário de cidade pequena, tipo Paranapiacaba ou algo assim, no começo de um dia de verão. Devido ao caráter mais simples, tradicionalista, optei por uma pintura com técnica de óleo. Os dois seriam vistos através de uma janela, com decoração tradicional também e o produto sobre a mesa, levando a crer o consumo deste – objetivo da mensagem publicitária.

Como falei no post anterior, usar o computador ou o pincel não tem tanta diferença pelo resultado pretendido, mas optei pelo computador (o Corel Painter IX) pela praticidade (rapidez, facilidade de modificar e limpeza).

Desenvolvi a arte em partes, pois o Painter não suporta bem o uso de layers (descobri isso da pior forma), depois juntei tudo no Photoshop.

Dois detalhes curiosos:

  1. o pote do produto também foi pintado para não brigar com o resto da imagem; e
  2. a sombra e efeitos de luz foram feitos no photoshop em layers separadas.

No final, são acrescentados ou alterados alguns detalhes, calibragem de cor e inserção dos textos, produto e assinatura (logo da empresa). Abaixo o resultado final que foi publicado:

Anúncio pronto para entrar na revista

Este trabalho está entre os meus preferidos, no qual tive a oportunidade de experimentar bastante (até por que deu um pau no computador e perdi tudo, tendo de refazer – rs). Acredito que atingimos o objetivo e o cliente ficou satisfeito.

Por fim, um agradecimento especial à diretoria da Peter Food, por autorizar o uso no nome da empresa e do anúncio neste post.

Abraços e até semana que vem!

4 "parpite"

1. mario mancuso publicado em 26 de fevereiro de 2010 às 13:25

Muito obrigado, João. Com certeza, na propaganda é essencial, mesmo q o produto final não seja um desenho.

2. André publicado em 19 de abril de 2010 às 7:11

Show de bola Mancuso! Obrigado por compartilhar conosco as informações, estou iniciando na área e pra nós é muito importante. Agora aproveitando o comentário do João, sobre o dom de desenhar, eu te pergunto! Somente os profissionais que tem o dom de desenhar se dão bem na profissão? A dedicação e a técnica de aprendizado são suficientes para desenvolver um bom trabalho final, mesmo sem o " dom" do desenho? Parabéns pelo trabalho e pelo blog!

abraço.
Abraço.

3. mario mancuso publicado em 19 de abril de 2010 às 18:30

Olá, André
Eu, particularmente, não acredito em dom. Existe uam conotação quase mitica em relação a quem desenha, muitas vezes alimentada por ilustradores vaidosos. O fato que para se desenhar precisa ter uma aptidão, vocação (coisas bem diferentes q o tal "dom divino"), como em qualquer profissão. Ótimos advogados, contadores, ou médicos podem ser péssimos ilustradores e vice-versa, pq cada qual no seu ramo, no que tem aptidão!Dedicação e técnica não é algo para se compensar o "dom", é apenas 98% do componente de um bom profissional. Os outrso 2% talvez seja talento, jeito ou sei lá.
Quem se dá bem no mercado não é quem tem o dom, mas quem é um bom profissional. Ponto.
Não entre nesses mitos bestas pois eles são alimentados, principalmente, pela inveja e pela vaidade. Um ilustrador é um profissional como outro qualquer.
abs

4. André publicado em 22 de abril de 2010 às 18:53

Boa tarde Mancuso!

Muito obrigado pelo retorno, suas palavras foram esclarecedoras e agregaram muito pra mim. Creio que estou no caminho certo! Obrigado.
Abraço.

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