23 de novembro de 2009
Silvia Zampar

Desabafo do Designer – Texto do Morandini

Li esse texto do Morandini, ilustrador e designer, no Blog Paulo Victor e amei tanto que resolvi republicá-lo na íntegra aqui. Mas antes vamos às minhas considerações:

Ouço de muita gente, repetidamente a pergunta: “Quanto devo cobrar pelo meu trabalho? Então, sempre falo que isso é muito, muito complicado de se opinar, já que o preço depende da experiência do profissional (quem está começando e não tem trabalho nenhum reconhecido, não conseguirá cobrar muito), depende do mercado local onde a pessoa está inserida (lei da oferta e da procura; se tem muitos designers e agências e concorrência desleal o preço às vez cai muito).

Eu sempre dou os seguinte conselhos:

  • Não comece querendo cobrar muito (você pode “chutar” alto e não conseguir pegar nenhum job);
  • Tenha a sensibilidade de perceber se você cobrou pouco e fazer um orçamento maior na próxima vez;
  • Conforme você for adquirindo experiência, tenha consciência que seu serviço valerá mais; e
  • NUNCA, EM HIPÓTESE ALGUMA faça serviços de graça (a não ser que seja para entidades sem fins lucrativos e de seu interesse ajudar). Cliente lucra, você também tem que ganhar. Se ele se diz seu “amigo” e quer serviço de graça… Bem, talvez você tenha que rever quem de fato são seu amigos.

Bem, vamos agora ao excelente artigo do Morandini:


Não me peça para dar a única coisa que eu tenho para vender” (Cacilda Becker)

Nós, designers, (bota aí também os ilustradores e artistas) adoramos o que fazemos. Ninguém entra nessa área sem ter, no mínimo, muita paixão pelo que faz.

Nesses quase 23 anos de atuação profissional através do meu próprio estúdio, perdi a conta de quantos clientes, amigos e desconhecidos (!) me pediram logotipos, ilustrações, artes, ‘desenhinhos’ ou ‘pequenos favores’ de graça. A maioria foi delicadamente recusada mas, confesso aqui publicamente meus pecados: já atendi alguns desses pedidos… Tá legal, vou falar a verdade… Já atendi VÁRIOS desses pedidos! (tenho culpa de ter muitos ‘amigos’?) Mas também tenho de dizer que, depois de longo ‘tratamento’ :) já estou quase curado dessa incômoda patologia!

E, não estou falando de filantropia, pois quando identifico trabalhos sociais bem intencionados, faço questão de atender e ajudar. Falo de pedidos sem remuneração, feitos para atender necessidades pessoais, comerciais e corporativas. Coisa que vai gerar retorno, seja de imagem, de público ou até mesmo financeiro.

Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos. Seguem os mais comuns:

  • Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz…
  • No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta!
  • Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço!
  • Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo!
  • Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte!
  • Isso pra você é moleza…
  • Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você!
  • É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente!
  • Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço.
  • Não precisa ser nada muito caprichado…
  • Faz aí depois a gente acerta!
  • Ah, mas isso é diversão para você! Você faz brincando!

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que:

  • Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar.
  • Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação.
  • Minha conexão de internet é feita através de telepatia.
  • Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo.
  • As idéias nascem na cabeça por geração espontânea.
  • O Governo não me cobra impostos.
  • Acho livros e material de pesquisa na rua (além de não me cobrarem ingressos em exposições e eventos).
  • Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de ‘Madre Tereza de Calcutá’ do design e da arte, fazendo apenas caridade…
  • Meus fornecedores mandam um enorme carregamento de tintas, pincéis e telas todos os meses (de graça!!!) para o estúdio.
  • Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo!

No ‘mundo real’, porém, a matéria prima do meu trabalho é uma equação muito bem balanceada. Ela é composta de TEMPO (um bem muito precioso!), IDÉIAS (fruto de mais de 30 anos de estudo e uma vida inteira de experiências), PROFISSIONALISMO (coisa rara nos tempos atuais) e CONHECIMENTO (resultado de todos os trabalhos feitos até hoje e de MUITA pesquisa).

Isso tudo tem um valor. O valor que, quando é pago, reverte em benefícios enormes para quem me contrata, gerando muito retorno institucional e financeiro.

Design e arte não são caros. A forma com que se investe neles (pagando por eles) é diretamente proporcional ao grau de seriedade que uma pessoa tem em relação ao seu empreendimento, seu pequeno negócio e sua própria imagem.

(Copyright – Morandini 2008)
PS.: Pode reproduzir este texto gratuitamente, tá? Só não esqueça de colocar o link para meu site!
www.morandini.com.br

Coloco em anexo este vídeo que ilustra muito bem este texto:

5 "parpite"

1. Tweets that mention TuDiBão » Desabafo do Designer – Texto do Morandini -- Topsy.com publicado em 23 de novembro de 2009 às 8:26

[...] This post was mentioned on Twitter by TuDiBão, Silvia Zampar. Silvia Zampar said: Especial para @mario_mancuso RT: @TuDiBao: Desabafo de um Designer (Texto do Morandini) http://tinyurl.com/ycykn4f [...]

2. Riccardo Benetti publicado em 23 de novembro de 2009 às 10:01

E realmente tem muita gente que faz isso, inclusive os chamados amigos: Faz pra mim. Como amigo não cobra, se é pra cobrar eu contrato uma empresa oras.

Quantas vezes já ouvi essa.

3. Silvia Zampar publicado em 23 de novembro de 2009 às 12:14

Como eu já disse: tem “amigos” que é melhor perder do que querer manter.

4. Alexandre publicado em 26 de maio de 2010 às 1:10

Putz, sabe quando você se vê lendo um texto? kkkkkk esses dias ouvi uma boa: "pô mas se vc é meu amigo, aí que teria que pagar mais pra ajudar o brother"

Passo por isso diariamente e MUITAS vezes amoleço e por mais que eu saiba que não vai dar retorno acabo ajudando quem não me ajuda =/

5. tudibao publicado em 26 de maio de 2010 às 21:55

Fiz muito isso tbm, Alexandre.
Até que aprendi a desculpa perfeita: falo que estou atolada de serviço e só conseguirei fazer pra… (e dou um prazo bem adiante).
O cara chora, esperneia e eu respondo que não posso deixar de ganhar grana pra colocar o dele na frente, que ai perco meu outro cliente.
Pronto, ele "entende" e procura outro trouxa, que não eu – rs

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